Lembram da série sobre os pecados capitais? Não? Nem eu estava lembrando (risos), mas explico essa história aqui. O episódio número dois é sobre a gula. Segundo as definições que encontramos por aí, a gula é o desejo insaciável por comida e bebida. Quem nunca cometeu este pecado, que atire a primeira pedra! Não serei eu a atirar a primeira pedra.
De forma geral, a nossa relação com a comida é emocional e tem bases culturais para sustentá-la. Não comemos somente quando temos fome biológica, uma necessidade de suprir o corpo com nutrientes para que ele se mantenha funcionando bem. Comemos também quando temos fome emocional. Seja esta causada por hormônios, por tristeza, por ansiedade e até mesmo por alegria. Comigo foi assim a vida toda. Até que um dia, o muito tempo que dedico às redes sociais foi útil. Quando eu vi aquele anúncio no Facebook eu não sabia que ali se iniciava uma revolução na minha vida.
Antes de narrar esta história, uma breve contextualização. A vida inteira estive acima do peso, mas há oito anos isto chegou ao ponto de me incomodar bastante. E não somente pela estética (várias pessoas me perguntando se eu estava grávida pelo tamanho da minha barriga, apenas poucas peças de roupa cabendo em mim...) mas também pela funcionalidade do corpo. Eu não tinha disposição, andava de forma lenta e meus joelhos começavam a reclamar da sobrecarga. Olhei bem no fundo dos meus olhos, diante do espelho, e perguntei para mim mesma: é esta pessoa que você quer ser?
Não, não era. Então eu precisava fazer alguma coisa, mas tudo ainda estava no campo das ideias. Até que um belo dia, eu encontrei na internet uma tal de "dieta dos pontos". Nunca havia feito dieta na vida e o cardápio exemplo que a reportagem trazia era para uma mulher da minha altura. "É só seguir, pensei". E comecei a fazer isso. No primeiro mês, muitos quilos a menos na balança (acho que foram sete)! E surgiu o pensamento "se seguindo dieta de revista já tive este resultado, se eu procurar uma nutricionista eu emagrecerei muito mais rápido". Marquei a consulta, peguei o cardápio, segui direitinho e voltei trinta dias depois. O resultado na balança foi a metade do que a dieta da revista apresentou. Oi?! Isso mesmo. Fiquei frustrada, mas hoje entendo as razões disto.
Continuei com a nutricionista e ela "me obrigou" a iniciar atividades físicas. Eu odiava, mas busquei uma academia. Os dias foram passando e meus hábitos foram mudando: em cinco meses (contados do início da dieta que encontrei na internet), a balança mostrava menos 14 quilos! No espelho a sensação era de uma perda muito maior. Pela primeira vez na vida, eu comprava as roupas que eu gostava e não as que cabiam em mim. Os joelhos praticamente não doíam mais. A autoestima batia todos os recordes! Eu me sentia saudável, disposta, plena, poderosa, "dona da porra toda".
E então, os 14 quilos voltaram. E trouxeram mais 6 com ele. Eles não chegaram de repente, e as minhas tentativas de frear a subida do ponteiro da balança foram todas mal sucedidas. E então, o anúncio no Facebook apareceu. Era uma loirinha simpática e bonita, nutricionista, falando em terrorismo nutricional. Jéssica Ribeiro é o seu nome. Uma pessoa que dizia que "nada engorda e nada emagrece, isoladamente, o que faz isso é o conjunto". Comecei a acompanhar o trabalho dela nas redes sociais e pouco tempo depois ela lançou a segunda turma do curso "Nutrição Sem Prescrição", em plataforma online. A esta altura, eu já me identificava com o trabalho dela e comprei o curso.
Foi assim que entendi que precisava transformar a minha relação com a comida. O curso veio em uma fase de muita turbulência na minha vida pessoal e mesmo sendo online foi difícil de acompanhar por razões diversas. A redução do peso na balança não veio durante o curso (está começando agora, as sementes estão começando a germinar), mas outras transformações aconteceram. Entre elas, o empoderamento que o conhecimento me trouxe na hora de fazer minhas refeições. Hoje sei exatamente como fazer boas escolhas, como montar refeições equilibradas, aprendi a controlar o que como e não ser controlada por isto. E, principalmente, o autoconhecimento. Aprendi a observar e escutar meu corpo, a ter paciência comigo, a não me cobrar tanto.
No curso, conheci uma psicóloga que faz atendimentos online e mora em outro estado. Ganhamos uma consulta "bônus" com ela e resolvi dar continuidade à terapia. Uma das melhores decisões da minha vida. Era a segunda Jéssica importante no caminho que me levou a mim mesma. Costumo dizer que fazer terapia é como abrir uma gaveta esquecida em um armário. Você encontra coisas que você não imaginava nem lembrava. Para não embolar ainda mais o meio de campo, não vou falar sobre a terapia agora. O assunto é a gula! Algo que já lido muito bem. Já não sou aquela que se atraca com as crianças pelos brigadeiros nas festas de aniversário, sou aquela que come quando tem fome e que sabe o que faz bem para o meu corpo e o que não faz. E sem precisar de nenhum papel para me dizer isso, nem seguir horários fixos. Basta ouvir e respeitar meu corpo.
Obviamente, recaídas fazem parte do processo de emagrecimento. E aprendi a lidar com elas também. Hoje eu sinto que estou com passos mais firmes nesta caminhada. Tenho excelentes profissionais me acompanhado (nutricionista, psicóloga, personal, fisioterapeuta) mas sei que a principal responsável pelos alcance dos meus objetivos sou eu mesma.
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