O Esporte Clube Bahia hoje entrou em campo para enfrentar o Vasco da Gama em partida válida pela Copa do Brasil. Vencemos por 3 x 0 mas o que importa aqui não é o placar. O time vinha, até então, apresentando muita instabilidade e um futebol pouco convincente em muitos momentos (ainda que tenha conquistado o título estadual e que esteja nas semifinais do campeonato regional). Quem gosta de futebol geralmente não se contenta apenas com resultado. Não basta vencer, tem que promover espetáculo. Eu, particularmente, sou destas. Hoje, no entanto, venceu e convenceu. Jogou muito bem, como a gente gosta de ver. Envolvendo a equipe adversária, buscando o gol o tempo inteiro e com uma defesa sólida e bem posicionada. Como diz o torcedor apaixonado, "dando aula de futebol".
A relação da torcida do Bahia com o atual treinador, Guto Ferreira, não é das melhores. Há um certo orgulho ferido porque, no ano passado, ele deixou o cargo no tricolor (que disputava a série A do campeonato brasileiro) para comandar o Internacional de Porto Alegre (que disputava a série B). Foi o suficiente para que o título estadual e nordestino e o acesso ao primeiro escalão do futebol nacional fossem esquecidos por alguns. A mágoa de ver o time do coração preterido foi maior. Outros questionam o trabalho de Guto, e a mim parece uma postura mais adequada. Como eu falei anteriormente, o time estava se apresentando muito mal. Neste sentido, não era cobrança indevida.
Por esta relação tumultuada, boa parte da torcida quer a substituição do treinador (quando o Bahia não vence e não joga bem eu sou uma delas). Uma destas pessoas que pede "a cabeça" do Guto é um dos meus amigos. Para mim sempre foi fácil respeitar a opinião de outras pessoas quando ela difere da minha, mas percebi que me incomoda bastante quando ele diz que vai torcer para o time adversário porque se o Bahia perder aumenta as chances de demissão do treinador. Respeito, mas não aceito. Torcer contra o próprio time? Não me parece nada razoável.
O fato é que este episódio me fez observar que temos visões totalmente opostas em relação ao futebol que talvez se estendem para a vida. Eu sou otimista, estou sempre alegre, vejo o copo meio cheio. Ele está quase sempre pessimista, melancólico e costuma ver o copo meio vazio. Em dias de jogos, eu sempre espero triunfos tricolores e ele vem com aquela conversa de que "o Bahia vai ser humilhado, vai tomar no mínimo uns cinco, mas é bom porque Guto cai". Hoje foi assim também, mas adotei uma postura diferente. Perto do início da partida, quando ele começou com esse papo eu fui educada, mas sincera e direta e disse algo como "não vou falar com você mais hoje, não quero brigar. Temos visões muito diferentes e apesar de respeitar sua opinião eu não concordo com ela e me sinto incomodada em ouvir". Ele ainda tentou argumentar, mas não dei atenção.
E por que eu trouxe isto para cá? Porque fiquei pensando que em meio a tanto discurso de ódio que acontece na internet, talvez esta seja uma postura adequada. Respeitar a opinião, mas se afastar da discussão. E comecei a questionar se esta amizade não é uma das minhas tintas amarelas, das quais falei dois posts abaixo. Não precisamos ter afinidade com os amigos em absolutamente tudo, mas e quando não temos afinidade em nada, ainda assim é possível ter amizade?
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