Será que teremos uma sequência cinematográfica por aqui (sem trocadilhos)? Em cartaz, outro documentário nomeado de "Tarja Branca", que fala da importância do brincar. E não pensem que a abordagem defende apenas que a brincadeira é fundamental para o desenvolvimento da criança, ela também lembra a nós, adultos, os prejuízos do crescimento. Como assim?! Logo no começo do filme, algumas vozes em off* e uma delas, para mim, sintetiza quando diz: "quando você perde a capacidade de brincar você perde a conexão com você mesmo".
O próprio nome do documentário é uma referência às medicações "tarja preta", normalmente utilizados para o combate a doenças graves (sejam doenças mentais ou físicas). A brincadeira, portanto, seria o oposto, o antídoto, um tratamento não medicamentoso. Não sou especialista na área (ainda), mas minha visão "senso comum" concorda totalmente com a afirmação. Quando somos crianças, temos o pensamento livre, criativo, sem amarras, sem censuras, sem bloqueios. Com o passar dos anos, esta criatividade vai ser perdendo muitas vezes em função de variáveis como pressa e estresse ou até mesmo como reflexo de uma educação que tenta o tempo todo padronizar comportamentos e aprendizados em uma lógica de produção industrial.
Na minha primeira graduação, eu li um livro que traz dicas para superar estes bloqueios mentais que impedem os pensamentos criativos. Infelizmente a publicação está esgotada, mas tenho esperança de encontrá-la em um sebo para ler novamente os preciosos conselhos. Apesar de me considerar bastante criativa, nunca é demais um aprimoramento aqui ou outro ali.
Sobre o documentário em si, apenas críticas construtivas. Achei repetitivo em alguns momentos e fala bem superficialmente das brincadeiras atuais, com o brinquedo eletrônico muito presente. Na rápida menção, fala-se apenas em aspectos negativos do eletrônico, mas tudo tem seu lado bom e os brinquedos eletrônicos ou brincadeiras virtuais não são exceção. Como balanço final, um saldo positivo. Mais méritos que defeitos. E agora tenho uma base científica para justificar a manutenção de meu lado criança muito forte. Eu não perdi a minha capacidade de brincar, então, não perdi a conexão comigo mesma. A criança que um dia eu fui certamente se orgulharia da adulta que hoje eu sou.
*Off é um texto narrado ou falado em produções audiovisuais ou jornalísticas que acompanha imagens. Não vemos o narrador, apenas ouvimos sua voz.

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