Ouvi em uma palestra uma vez que enfrentamos o medo quando ele é real, quando não é nos ficamos paralisados. Muitas pessoas têm medo de dirigir. Eu tive medo de dirigir em alguns momentos da minha história como motorista. O primeiro deles foi quando me vi sozinha na direção no momento de realização do exame do Detran. O meu primeiro instrutor na autoescola apenas me dava comandos como "diminua a velocidade agora", "engate a terceira marcha" e coisas do tipo. Resultado, eu era praticamente um robô seguindo instruções sem saber o porquê de cada uma delas. Sozinha no carro, não sabia o que fazer e, logicamente, fui reprovada no exame.
Não desisti, mudei de instrutor e de carro na autoescola. Gostei muito mais tanto do segundo carro quanto do segundo instrutor. Minha segurança aumentou e com ela veio o prazer em dirigir. Por algum tempo, eu afirmei que aprendi a dirigir na autoescola, mas depois percebi que era uma inverdade: aprendi nas ruas. No trânsito onde muitos acham que podem seguir regras que eles próprios criaram (e que os outros devem segui-los). Nos primeiros meses, naturalmente, os erros eram mais constantes. O fundamental nessa hora foi não desistir, não deixar que pensamentos como "é muito difícil" ou "eu não vou conseguir" me dominassem.
Comecei a observar motoristas mais experientes, a fazer perguntas e fui errando cada vez menos. Não era medo que eu tinha, era insegurança. Com o passar do tempo, fui me tornando mais segura em tudo, na direção do carro e da minha vida. Até que comprei um veículo novo, e estranhei de imediato a mecânica diferente. Foi o segundo momento em que eu senti medo. Aqui não era insegurança, era medo mesmo de errar e acabar provocando um acidente. Foi quando isso passou que aconteceu o acidente sobre o qual já falei aqui e o carro teve perda total.
E hoje, exatamente hoje, eu me vi com medo mais uma vez. Era a minha estreia em rodovias. Os primeiros dois ou três quilômetros foram tensos, e eu nem tinha uma música para relaxar porque o áudio do carro estava ocupado com as indicações do Google Maps. Não ter cometido erros nestes primeiros quilômetros trouxeram a minha segurança de volta. O meu destino era a pouco mais de 30 quilômetros da Capital, na Região Metropolitana. Estava tudo indo muito bem, mas confesso que em alguns momentos acho as indicações do GPS um pouco confusas e acabo me atrapalhando. Foi o que aconteceu. Quando eu percebi a sinalização, já não havia como fazer a conversão necessária.
Primeira reação, um ensaio de desespero. Eu tinha compromisso com horário marcado. Continuei seguindo as indicações do GPS até que ele me mandou entrar em uma rua que não era nada "gatinha". Desisti, e, sem saber onde estava (era um trecho sem sinalização) segui adiante mais alguns metros e encontrei uma rotatória. A intuição me mandou fazer o retorno e, no sentido contrário, percebi que estava voltando ao caminho principal. Maravilha, era isso o que eu queria e não as rotas alternativas do Google. Desta vez eu já sabia onde tinha errado, corrigi as manobras e cheguei ao meu destino. Fiquei orgulhosa de mim. Não perdi a calma, não perdi o equilíbrio, não perdi o compromisso.
Na volta para casa foi ainda mais fácil. Fiquei ainda mais atenta à sinalização da estrada e à forma como o Google me apresentava a ela. Insegurança zero. Terei que voltar a este local que eu fui hoje daqui a alguns dias e com certeza a segunda vez será bem mais tranquila. Resumo da história: comecei a concordar com a palestrante. O medo era real, de ficar perdida no meio do nada, mas eu o enfrentei e venci. Como é boa essa sensação!
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