segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

Foto 3 x 4

Parece que a tecnologia gostou de ser pauta no meu blog. Vamos falar dos avanços na área de fotografia. As crianças de hoje não saberão como é a tensão de voltar das férias ou de um passeio sem saber como ficaram as fotos. Ostentação era comprar filme de 36 poses, que sempre fazia umas três fotos a mais. Por outro lado, era preciso esperar acabar os cliques para levar o tubo em um laboratório e voltar para casa rezando para que não tivesse queimado nenhuma ou que a luz tivesse ficado boa, ou que ninguém saísse com o olho fechado. A angústia durava dois ou três dias. 

Quando as lojas especializadas em fotografias começaram a entregar as fotos em uma hora foi uma grande novidade. O tempo de espera reduziu significativamente (a tensão não). As máquinas modernas que faziam o milagre da revelação em uma hora também faziam pequenos ajustes na luz e na cor para conseguirem melhores imagens. Os tradicionalistas e/ou apaixonados pela arte criticavam que aquilo não era fotografia de verdade, mas a novidade chegou para ficar. 

Ficar por um tempo, porque foram substituídas pelas câmeras digitais. Clicou, olhou. Não ficou boa, repete. Era o fim da Polaroid, com revelação instantânea. Até que chegaram os smartphones, com câmeras digitais de alta resolução e conexão a internet. A pessoa faz a foto, edita e já publica nas redes sociais em questão de poucos minutos. Características da sociedade moderna: velocidade, conexão, muito valor às aparências, culto ao corpo. 

O que me intriga nessa história toda é: cadê a tecnologia que vai deixar a gente mais bonito nas fotos 3 x 4 para documentos? Acredito que 99% da população não fique bem neste tipo de foto e, infelizmente, eu me incluo nisso. Não preciso mais ir a um estúdio, fazer a foto, esperar acabar o filme para revelar e pegar as imagens em alguns dias. Hoje, em cinco minutos estou com o material pronto, mas isso não muda o fato de que mal me reconheço nos retratos. Não sei o que é pior, se são as fotos que nós tiramos em qualquer quiosque de shopping ou se são aquelas cujos órgãos fazem a captura na hora. Juro que se eu fosse policial e me parasse em um blitz eu não acreditaria que sou eu naquela foto da habilitação. A do título de eleitor então (o aplicativo digital), melhor nem comentar. 

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