Minha relação com a dança era um amor platônico até o ano passado, apesar de eu ter começado a frequentar as aulas de Zumba e Fitdance em 2015 (eu acho). Comecei bem timidamente, nas primeiras aulas eu ficava no fundo da sala morrendo de vergonha, achando que estavam todos olhando para mim e criticando e rindo da minha performance desastrosa. Parava várias vezes com o pretexto de beber água ou de que o joelho estava doendo. Coincidentemente a sede ou a "dor" só surgiam nas músicas que eu achava a coreografia mais difícil.
Hoje eu fico na frente, no máximo na segunda fila. Não paro para beber água, o joelho não dói. Ainda acho que se alguém me observar dançando vai criticar ou rir da minha performance desastrosa. A diferença é que agora isso não faz a menor diferença para mim. A opinião dos outros não importa mais, o que importa é a minha diversão. Eu e somente eu no centro das minhas atenções. O dançar é consequência, a intenção principal é a alegria. Deixemos a exigência de apresentações irretocáveis para os profissionais ou competidores. Vamos nos permitir errar, não nos cobrar tanto e nos divertir e aprender com os nossos erros. Na dança, na vida.
Comecei a fazer as aulas porque achava que seria bom para mim fazer uma atividade diferente das que eu já fazia, podia ajudar no emagrecimento tão necessário. E os primórdios foram do jeito que descrevi no parágrafo inicial. Considero que ainda estou longe de dançar bem, mas com certeza já evoluí muito. A coisa toda foi bastante revolucionária e natural. Não me dei conta da transformação até me pegar descalça em um aniversário, super à vontade na pista de dança - pedindo música ao DJ!!!. "Você tem alguma coisa do Maluma???" E sem a "ajuda" do álcool para superar a timidez, eu não gosto (o sabor e o efeito não me agradam, mas isto pode ser tema de outra postagem).
O essencial nessa trajetória foi a minha determinação. Não a determinação em me tornar uma dançarina de fechar o baile, mas a determinação de não desistir sem que tivesse tentado todas as possibilidades. Eu não desisto fácil das coisas e nem das pessoas. Outro ponto importante: o incentivo dos instrutores. O de Zumba faz eventos beneficentes eventualmente. Eu tinha vontade de ir, mas a ideia de ter várias outras pessoas que não me conheciam avaliando minha dança me apavorava. As meninas na academia já sabiam que eu não sabia dançar... já tinha me acostumado...
E então, veio um evento destes beneficentes e o professor perguntou para mim: "você vai?". Eu respondi "não sei, ainda estou pensando". Ele então me deu uma das camisas que era o "ingresso" da festa e disse, taxativo. "Você vai". Ele me deu um compromisso, uma responsabilidade. E eu fui. E dancei como dançava na aula, do mesmo jeito sem graça, tentando me esconder. E comecei a olhar em volta e comparar meus passos com os de outras pessoas. Sim, tinha gente que dançava pior que eu e parecia não se importar com isso. Por que eu estava me importando?
Este pensamento pode ter sido a bandeira branca que selou a paz entre mim e eu mesma. Aos poucos fui vendo minha evolução e sentindo os benefícios da dança. Como eu costumo dizer, eu me entrego de corpo e alma a tudo que me apaixona. E eu me apaixonei pela dança. Minha coordenação motora melhorou bastante, a resistência muscular, a tonicidade, a parte cardiorrespiratória (consigo falar depois da coreografia sem ficar ofegante como alguém que anda dias no deserto sem água). O emagrecimento não veio, mas foi por outras falhas (alimentação principalmente). E a gente não dança somente com o corpo, logo, os benefícios também transcendem para a alma, para a mente. A memória melhora (recordar as coreografias), a concentração (não errar as coreografias) etc.
Nas aulas ouvi relatos de pessoas que superaram a depressão com a dança, que melhoraram a autoestima com a dança. Acho que posso me incluir nos relatos em relação a melhorar a timidez e autocrítica ultra severa depois da dança. Sabe aquela máxima do "dance como se ninguém estivesse olhando?". Foi o que aprendi a fazer. Não sei se consegui expressar em palavras tudo de bom que isso traz, então, deixo meu convite. Experimente, deixe a dança transformar você também.
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