sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

La temperatura


Acho que conheci Maluma quando ele gravou Sim ou Não com Anitta. Depois, nas aulas de Zumba, conheci outra música dele gravada com Thalía. Ou terá sido o inverso? Não sei. Um parêntese - Thalía é aquela mesma atriz de Maria do Bairro, Marimar e Maria Mercedes, as novelas mexicanas mais famosas do SBT até a Usurpadora usurpar também este título. Oportunidades não faltaram, mas nunca assisti a nenhuma destas novelas. Também não assisti ao filme "A Lagoa Azul", campeão de exibição nas Sessões da Tarde da Globo, mas deixemos isso para outra hora. 

Fato é que hoje em dia mudamos a forma de produzir e consumir música. A internet revolucionou a indústria cultural. A vendedora de DVDs e CDs piratas que atuava na esquina de onde fica a organização onde trabalho precisou mudar de ramo depois do surgimento de Netflix e Spotify. Ela agora vende produtos alimentícios de procedência misteriosa. São artigos industrializados, de marcas famosas, vendidos a preço muito inferior do que o praticado em qualquer mercadinho de bairro ou mercadão de grandes redes ou que comercializam no atacado.

Nada de desviar o foco! Maluma (suspiros) é um dos mais bem sucedidos representantes do reggaeton, ritmo latino que ganhou as paradas de sucesso mundial e emplacou sucessos como o do portorriquenho Luis Fonsi - Despacito (é um hit do ano passado mas ainda não enjoei de ouvir). Contagiante, o reggaeton também é presença certa em qualquer aula de Zumba e "desata o fuego en (nuestra) cintura densa y dura". 

Há quem critique que algumas letras de Maluma são machistas, mas acredito que há coisa muito pior em solo nacional mesmo - vide a letra de "Surubinha de leve", que precisou ser reescrita após denúncias de apologia ao estupro e ainda não ganhou nada de qualidade. Sem entrar neste mérito sobre o "suposto" machismo de Maluma, sem emitir opinião (até porque meu Espanhol não é suficiente para entender todas as letras e ainda não parei para traduzí-las) escolhi uma das canções do artista para a postagem de hoje. Descobri a canção no Spotify e isto ilustra o que falei acima sobre a mudança na produção e consumo de música. Os clipes ganharam muito mais força com o Youtube e uma música composta hoje e gravada hoje já pode ser ouvida hoje, uma instantaneidade muito apropriada para uma geração ansiosa e imediatista. 

Enfim, gosto muito desta e outras canções do Maluma (incluindo o dueto da deliciosa "Vente pá cá", com Ricky Martin), e ela combina muito com uma noite de sexta-veira de verão em um país tropical. Certo, ainda que não combinasse talvez eu postasse ela aqui hoje porque deu vontade e porque estava com um pouco de pressa para textos mais elaborados. 

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