segunda-feira, 11 de junho de 2018

Fim de um preconceito

Na segunda avaliação oral do curso de Espanhol este semestre teríamos que apresentar os pontos turísticos de um país da América Latina. E o país foi definido por sorteio. Minha primeira reação quando abri o papelzinho e vi escrito "Peru" foi de pensar que não usei o poder da mente o suficiente para sortear República Dominicana ou Colômbia, os dois que mais queria conhecer pessoalmente inclusive. E mais! Uma pergunta ficou em minha cabeça: por que logo o Peru???? 

A professora autorizou que fizéssemos troca de países entre nós, mas eu nem cogitei a possibilidade. Precisava descobrir o porquê minha mão tinha sorteado um país pelo qual não nutria a menor simpatia, pelo contrário. Primeiro, busquei o motivo para a minha antipatia pelo Peru e encontrei uma explicação plausível, boba e sincera. Estava julgando sem conhecer, apenas por uma associação com o prato natalino, o qual não aprecio em nada. 

E eu me permiti conhecer o Peru, ainda que virtualmente. Eu já sabia a origem do meu preconceito, e vi que eu só tinha um pré sem nem ter um conceito! Bastou ver um vídeo sobre pontos turísticos do país para eu lembrar da civilização inca e das aulas de história que eu adorava. O Peru tem uma história riquíssima, paisagens naturais belíssimas, mistérios... É minha cara!!! Surgiu um encantamento, admito. E tudo só foi possível porque eu me permiti conhecer.  Fica a dica!

domingo, 10 de junho de 2018

Se a vida te der um limão...

A vida é uma grande roda gigante, em alguns momentos estamos lá em cima e em outros estamos lá embaixo. Não há como se manter lá em cima o tempo todo, a descida faz parte da nossa evolução. Chegando à metade do ano, observo que a minha cabine está na parte baixa em alguns aspectos e na parte alta em outros, ou seja, tudo absolutamente normal. O segredo é não deixar que o aspecto que está na parte baixa contamine todo o resto. Falando assim, parece fácil, mas não é. Entretanto, não ser fácil não significa ser impossível. É só encher a cara de coragem e seguir em frente. 

Existe uma fórmula secreta para isso? Não faço a menor ideia. Só sei que esta foi uma noite de bastante reflexão para mim. Extenuada, física e mentalmente, eu lutei bravamente contra o sono porque achei um desaforo ele me vencer às 19h30!!! E foi nesta batalha que alguns lampejos de pensamentos vieram. Entre um cochilo e outro, várias coisinhas se encaixando, algumas lembranças que surgiram (não por acaso, óbvio)... Até que, enfim, o sono me venceu (ele sempre vence). E o processo continuou enquanto eu dormia. Uma noite reparadora de sono e um sonho transformador e eu acordo com a sensação de que sou uma borboleta saindo do casulo. Fantástico!

Neste momento de luta contra o sono, uma das coisas que queria fazer (e não fiz, diga-se de passagem) foi registrar no aplicativo do condomínio uma ocorrência sobre uma lâmpada piscando na garagem. Não o fiz porque lembrei da última vez que aconteceu a mesma coisa com uma lâmpada do elevador. Na ocasião, encontrei o síndico subindo ou descendo (este detalhe eu não lembro) e ele falou "É chato essa luz assim né? já solicitamos o reparo, mas a empresa só deve vir amanhã". Eu respondi "Tudo depende da forma como você encara as coisas, do poder que você dá a elas sobre você. É só colocar uma música legal no celular e transformar o elevador em boate". Ele riu e disse que era uma excelente lição para a vida. Agora a boate será na garagem. 

Essa lembrança fez toda a diferença. As minhas palavras agora diziam a mim mesma: "Tudo depende da forma como você encara as coisas, do poder que você dá a elas sobre você. É só colocar uma música legal no celular e transformar o elevador em boate" Então, querida cabine da roda gigante, prepare-se para subir novamente. Já estou ligando a música no celular (Alok, pode ser???) e nosso elevador vai se transformar em uma boate. Digamos que o sonho me deu algumas sugestões de playlist para essa guinada. Segue o baile! 

sábado, 9 de junho de 2018

You're still the one

Primeira música da minha playlist hoje. A versão que tenho é a que começa com os versos:

"When I first saw you, Isaw love
And the first time you touched me, I felt love
And after all this time, you're still the one I love"

Nada é tão perfeito para descrever o que você significa para mim. Bastaram os acordes iniciais da canção para que meu melhor sorriso se abrisse. Aquele que só você desperta, que transcende meus lábios e ganha o meu olhar. You're the still the one that I love. Como é bom sentir a conexão com você novamente e saber que o alicerce deste sentimento é forte o bastante para que nem o tempo nem a distância destruam. Não há melhor lugar no mundo do que nos seus braços. 


sexta-feira, 8 de junho de 2018

O poder da mente

Você pode acreditar ou não na força do poder da mente. Se eu não acreditasse, mudaria de opinião esta semana. Primeiro, o tema surgiu em uma aula de espanhol. Começou a chover bastante e brincamos que nosso poder da mente faria parar de chover. Funcionou e quase instantaneamente. Depois, em uma situação na faculdade. Estávamos sorteando a ordem de apresentação dos grupos em um seminário. Meu grupo não queria ser o primeiro, mas também não queria ser o último (até porque são 13 grupos!). Depois do quarto papelzinho aberto, eu falei para a menina que fazia o sorteio "está na hora de tirar meu grupo, pegue o número oito". E o próximo papel aberto foi o... oito! Acho que não preciso escrever mais nada. Encerro aqui.

quinta-feira, 7 de junho de 2018

quarta-feira, 6 de junho de 2018

Tudo que vicia começa com C... ou seria B?

Há exatamente um ano, eu acordava pensando em um texto do Luis Fernando Veríssimo que eu gosto muito (gosto muito de todos os textos dele que conheço, hehehe). Foi então que escrevi algumas linhas no Facebook sobre isso. Hoje, por alguma razão (nada é por acaso), eu acordo pensando novamente no mesmo texto! E quando pego o celular e abro o Facebook, qual não é minha surpresa em ver que a rede social me trazia o texto como lembrança. Incrível! 

Eu tinha que trazer para cá esta postagem! Até porque a paixão que eu achava (ou torcia) que estivesse acabando ressurgiu mais forte ainda. Contando os dias, as horas, os minutos para estar em seus braços novamente. Paraíso melhor não há. 

Olha o texto do Facebook aí (ignorem o nome do Luis com z, eu sempre fico na dúvida mas nem sempre olho antes).
Tem um texto do Luiz Fernando Veríssimo em que ele comenta que tudo que vicia começa com a letra C. Quando tenho aqueles picos de autoestima mega elevada (quase todos os dias, é verdade), fico pensando se foi por isso que minha mãe resolveu colocar o meu nome sem o Maria, como é mais tradicional. 🤔
O próprio Veríssimo diz, no texto, que nem tudo que começa com C vicia, ou estaríamos bem com o vício em cultura. Concordo plenamente, mas não preciso ser humilde 24h, preciso é do meu amor próprio. 😂
Hoje foi um destes dias em que este texto voltou a minha cabeça assim que acordei. Literalmente. Eu sei que o normal para a maioria das pessoas é levantar primeiro e ir acordando aos poucos. Estou na minoria que assim que abre os olhos pensa "hoje é terça, dia 6 de junho, e tenho tais e tais e tais atividades para fazer", enquanto desliga o despertador (que vai tocar cinco minutos depois). 🙈🙈
O pensamento seguinte foi o texto de Veríssimo, que me acompanhou até agora. E um pensamento leva a outro e a outro, e a outro. Parei para analisar sobre os meus próprios vícios e concluí que, por ironia do destino, nenhum começa com a letra C.
Aí resolvi olhar para a letra do lado, o B... Será? Banana, brigadeiro, borboleta, Bahia (o Estado e o time 😍) beijinho, beijos, beijões... Olha, isso faz mais sentido para mim. Grandes vícios que começam com a letra B. Vícios não, paixões. Paixões que fazem meu coração vibrar, sorrir e se entregar por completo. Paixões que provocam brilhos intensos nos meus olhos, que despertam meus sorrisos mais iluminados. Paixões ❤️💕❤️
Nem vou escrever o restante dos pensamentos aqui para não ficar um textão sem limites (se virar filme facilita, né? Alô, Hollywood, vamos negociar? )... Encerrar por aqui não significa que não vou escrever sobre eles em algum outro lugar. Quando as minhas ideias estão parecendo uma montanha russa, é o ato de escrever que vai organizando tudo e transformando em um lindo e perfeito carrossel (até que um cavalinho se desprenda e comece tudo de novo).
Então pronto, terminemos por aqui. Desculpa se você leu até aqui e não entendeu nada. 🙄 Talvez a intenção fosse essa mesma.

terça-feira, 5 de junho de 2018

Dia mundial do meio ambiente

Infelizmente a foto abaixo não foi produzida com aplicativos que editam imagens. É real. E há milhares de outras como esta que sequer foram registradas. São toneladas de lixo descartadas de qualquer maneira e danos irreparáveis ao meio ambiente diariamente. E quem tenta alertar sobre os perigos ainda é rotulado de "ecochato". A responsabilidade com o planeta é de todos nós e não é porque "ninguém faz nada" que não vamos fazer também. Se todos pensarem assim, não vai acontecer nada mesmo, ou melhor, vai acontecer sim: o fim. 

Imagem relacionada


Precisamos repensar nosso consumo e aplicar a regra dos 3R: reduzir, reutilizar e reciclar. Há muitas pequenas atitudes que podemos adotar/modificar que fazem muita diferença. Esta semana, por exemplo, comprei uma ecobag e deixei no carro. Com isto, a quantidade de sacolas das minhas compras no supermercado certamente diminuirão bastante. Também separo o lixo reciclável, o prédio onde eu moro fez um acordo com uma cooperativa de catadores e eles vêm buscar periodicamente o material que separamos. Além de contribuir com o meio ambiente, ainda geramos renda. Claro que iniciativas como esta do condomínio facilitam, mas sempre há um ponto de coleta na cidade. Dizer que não tem tempo não é desculpa, sempre encontramos tempo para tudo. 

Reduzir a quantidade de "alimentos" industrializados também é uma boa pedida. Além de melhorar a saúde sem tantas substâncias nocivas no organismo, reduzimos a quantidade de latas, vidros e potes de plástico/ PET na lixeira (ou melhor, no recipiente de coleta de recicláveis!). 

Reduzir o tempo no banho, fechar a torneira enquanto escova os dentes, ensaboar a louça toda de uma vez, utilizar sempre a capacidade máxima da máquina de lavar, juntar toda a roupa possível para passar de uma única vez, reutilizar a água da lavagem de roupas para lavar o chão da casa, trocar as mangueiras pelos baldes e várias outras coisinhas pequenas que fazem enorme diferença. Tudo é uma questão de hábito. Eu faço isso tudo, exceto a parte de reutilizar a água da máquina de lavar (o encanamento de onde moro agora não permite mais isso). Não sou melhor do que ninguém, se eu consigo, todo mundo pode fazer também. É uma questão de consciência. 

segunda-feira, 4 de junho de 2018

Youtube

Não sou inscrita em muitos canais do Youtube. Pelo contrário. Alguns até costumo visitar com uma certa frequência, outros deixei de acompanhar, mas três canais me trazem sempre boas reflexões. O primeiro eu conheci por acaso, com um link patrocinado no Facebook (nutricionista Jéssica Ribeiro), o segundo também conheci por acaso, pelo vídeo que uma amiga compartilhou no Facebook. E o terceiro? Ah, também foi por acaso, uma indicação de um vídeo feita por minha terapeuta. Só que nada nesta vida é por acaso. 

Para quem quiser conferir, os links:

domingo, 3 de junho de 2018

O que a greve dos caminhoneiros ensinou ao Brasil?

Foram muitas as lições. Algumas (para mim) são apenas "revisões" de aulas passadas, mas ainda assim é bom mencionar para fixar melhor o aprendizado. 

  1. A força do WhatsApp - a mobilização foi feita nos grupos de caminhoneiros no aplicativo de mensagens instantâneas. Uma mensagem ganha o Brasil em cinco minutos, ainda que não se identifique a origem dela. O "zap" também foi utilizado nas negociações. Obviamente, também há o lado ruim: o fenômeno "fake news" e a ampliação do pânico entre a população. Parte da crise de desabastecimento teria sido evitada se as pessoas não corressem para estocar suprimentos diversos. As eleições estão chegando, em tempos de WhastApp. Promete!
  2. O modelo de representação sindical precisa ser repensado, está perdendo força. Os verdadeiros líderes do movimento não estavam nas instituições "oficiais" de representação - os sindicatos. Em outras categorias e greves também podemos perceber uma articulação com lideranças mais pulverizadas, mas é um fenômeno ainda inicial - muitos sindicatos ainda têm muta representatividade. De qualquer forma, reciclagem é sempre bom (em todos os sentidos).
  3. Há muitas profissões invisíveis no Brasil. E muitos aprenderam a importância dos caminhoneiros nesta greve. Em um país onde o transporte de mercadorias é quase exclusivamente feito por rodovias, é paradoxal que não se valorize os caminhoneiros. Também não valorizamos várias outras categorias mas quando uma delas faz greve torna-se visível! Até voltarem ao trabalho, claro. 
  4. Manter a calma em situações adversas é fundamental. Parar, respirar, raciocinar, buscar soluções inteligentes. 
  5. É inconcebível que um país com tantos rios navegáveis e com tanto potencial para manutenção de uma malha ferroviária eficiente ainda dependa quase que exclusivamente das rodovias para escoar a produção. A quem isto interessa, mesmo?
  6. Não há movimento social desprovido de política. De partido político é possível que haja, de ideologia política não. Definitivamente não.
  7. A corrupção é uma cultura forte no Brasil e não apenas entre os políticos. Com pouco combustível nas bombas, vimos notícias de pessoas presas por "furarem" a fila de abastecimento com carros oficiais falsos ou ambulâncias que enchiam o tanque para repassar a gasolina a carros particulares ou amigos de autoridades e donos de postos que não tiveram problemas para abastecer... Enfim, não faltam (maus) exemplos. 
  8. É preciso verificar a veracidade de uma informação recebida no WhastsApp antes de sair repassando. Seja ela qual for. 
  9. Seja lá qual for o assunto, vai ter meme na internet em poucos minutos. 
  10. Esta mesma criatividade foi utilizada para a substituição de legumes e temperos durante os dias da greve. Teve quem ficou triste com a normalização do abastecimento porque não vai ter mais esta desculpa para não comer salada. 
Pode até ser muita areia para o caminhão transportar, mas aprendemos que é bom que ele esteja à disposição - ainda que precise fazer mais de uma viagem. 

sábado, 2 de junho de 2018

Acho que este texto vai surpreender alguém... mesmo que este alguém seja eu!

Resolvi escrever para você, que procura amizades eternas. Serei eu uma delas? Cabe um sim como resposta, cabe um não, então escolhamos um talvez. Deixemos que o tempo aja e que se cumpra o destino (do jeito que eu acredito nele, com as nossas escolhas sendo protagonistas do enredo). Você que gosta da interferência do acaso colocando pessoas na sua vida. Você que nunca vai entender (e assumir) que gosta de conversar com alguém que escuta MC Kevinho, Léo Santana e Harmonia do Samba - vou confessar, não é somente uma estratégia para não dormir quando preciso dirigir à noite e nem repertório das aulas de FitDance, quando estou limpando a casa também gosto. 

Você conhece mais de mim do que eu de você e isto não me incomoda. No começo era divertido ver você tentando me colocar no divã e eu resistindo, lhe dando pistas para descobrir o grande enigma que (penso que) sou. Não foi premeditado nas primeiras conversas, isto é espontâneo em mim. Depois de um tempo tornou-se premeditado sim. Respostas pensadas, milimetricamente calculadas. Uma pecinha do quebra-cabeças por vez. Eu não tinha tanta curiosidade em conhecer você, mas tinha muita curiosidade em saber os motivos da sua curiosidade sobre mim. Seria eu um bom objeto de estudo? De uma coisa tenho certeza, minha autenticidade é o que você mais admira em mim. 

Aprendi muitas coisas com você, e não estou falando apenas nas dicas para escolher uma boa seguradora para o veículo. Aprendi a gostar de você, por exemplo. Aprendi sobre mim também, nas diversas vezes em que me reconheci em tudo ou não me reconheci em absolutamente nada do que você dizia perceber sobre mim (errou mais que acertou, mas agora o blog facilita e muito a sua vida de "caçador de mim"). Era (e continua sendo) divertido e desafiador tentar ler as suas entrelinhas. Acredito que você nunca admita que tentou me colocar no divã (no sentido terapêutico da expressão), mas eu percebi a estratégia. Algumas vezes as entrelinhas continham pequenas confissões. Quando eu quis, eu fui sozinha até o seu divã, embora eu ache que sempre levanto antes da sessão terminar... 

Enfim, pode-se dizer que o Doutor conquistou um espaço no coração da Toninha. Não é amor de amante, amor romântico, amor platônico, é amor de amigo, fraternal, sem luxúria. No divã, fazer  apenas terapia. Tive a certeza de que gosto de você no dia do que chamo de "ataque de fúria", quando fiquei absolutamente triste com a possibilidade de você se afastar de mim e, pior, com a possibilidade de eu ter causado feridas na alma! Estas, algumas vezes, não cicatrizam nunca. 

Acho que consigo imaginar você lendo estas linhas. Seria pós aula de natação daquelas em que não se sente as pernas? Primeiro, o espanto. Eu???? Sim, você!!!! Alguns minutos pensando nas razões da postagem (esquece, nem eu sei). Depois, uma leitura rápida, talvez outra mais aprofundada e algumas anotações no meu "prontuário". Um sorrisinho no canto da boca, uns acordes perturbadores para os vizinhos e o pensamento de que este texto deveria ser escrito depois de uma conversa à beira mar, regada a vinho enquanto o sol se põe. Sem chance, eu não gosto de vinho. 

sexta-feira, 1 de junho de 2018

O riso dos outros

Se há uma coisa que eu gosto de fazer nesta vida é sorrir. E rir, também. Sempre gostei de comédias e shows de humor. Entretanto, há alguns anos, comecei a achar que havia algo de errado comigo porque poucas coisas me faziam rir, mas eu me considerava ( e considero ainda) uma pessoa alegre e feliz. Pessoas alegres e felizes sorriem e riem, não? Então, o que havia de errado comigo? Percebi esta mudança durante o casamento. Talvez um pouco antes, na fase de namoro ainda. 

Meu ex-marido gosta e tem o hábito de ver muitos vídeos, séries e filmes na internet. Muitas vezes, ele estava vendo alguma coisa e gargalhando. Normalmente ele me chamava para ver ou eu perguntava o que era tão engraçado. Ele me mostrava as piadas ou esquetes humorísticas e ria novamente, mas eu, muitas vezes, permanecia séria e dizia apenas "não achei graça nenhuma". Quando isto começou a ficar frequente, ele começou a reclamar que eu não tinha senso de humor. E eu comecei a me perguntar se ele estava certo quando fazia esta afirmação. 

Concluí, inicialmente, que o meu humor estava se tornando bastante sofisticado, exigente. Acredito que há uma certa verdade aqui. Depois, pensando mais sobre o assunto, descobri de quais piadas eu não conseguia rir. Eram daquelas que diminuíam pessoas. Um acontecimento poderia ser o meu "eureka" em relação a isto. A infeliz ideia de fazer uma piada sobre loira com uma amiga loira. Ela me perguntou se eu achava mesmo que ela não era inteligente por causa da cor do cabelo. Não, muito pelo contrário. É uma das pessoas mais inteligentes que conheço. Ainda tentei brincar dizendo que era uma exceção porque é naturalmente loira e ela me fez uma nova pergunta: a tinta para cabelo tem mesmo o poder de modificar o QI de alguém?  E então eu percebi o quanto eu estava sendo preconceituosa e ridícula. E era deste tipo de piada que eu não mais conseguia achar graça. Nem as de português, nem as de loira, nem as de nordestinos, mineiros, gordos, gays, mulheres, negros... 

Durante uma aula esta semana, uma professora exibiu um documentário chamado "O riso dos outros", que faz uma análise sobre os limites do humor - com foco nos shows de "stand-up comedy" (quando o humorista se apresenta sozinho, sem cenário, com texto e piadas de própria autoria). É um filme brasileiro, produzido logo após o atentado terrorista que vitimou fatalmente cartunistas do Charlie Hebdo (jornal francês) e dividiu opiniões no mundo inteiro. O ataque teria sido motivado pelas frequentes charges que envolviam a religião muçulmana. 

Há limites para o humor? Sim, e muitos limites. O humor é para rir com alguém e não de alguém. Ria de situações, de fatos, não de pessoas. Gostei bastante do documentário, das reflexões e questionamentos que trouxe. Pode ser encontrado facilmente no Youtube. Recomendo!