Foram muitas as lições. Algumas (para mim) são apenas "revisões" de aulas passadas, mas ainda assim é bom mencionar para fixar melhor o aprendizado.
- A força do WhatsApp - a mobilização foi feita nos grupos de caminhoneiros no aplicativo de mensagens instantâneas. Uma mensagem ganha o Brasil em cinco minutos, ainda que não se identifique a origem dela. O "zap" também foi utilizado nas negociações. Obviamente, também há o lado ruim: o fenômeno "fake news" e a ampliação do pânico entre a população. Parte da crise de desabastecimento teria sido evitada se as pessoas não corressem para estocar suprimentos diversos. As eleições estão chegando, em tempos de WhastApp. Promete!
- O modelo de representação sindical precisa ser repensado, está perdendo força. Os verdadeiros líderes do movimento não estavam nas instituições "oficiais" de representação - os sindicatos. Em outras categorias e greves também podemos perceber uma articulação com lideranças mais pulverizadas, mas é um fenômeno ainda inicial - muitos sindicatos ainda têm muta representatividade. De qualquer forma, reciclagem é sempre bom (em todos os sentidos).
- Há muitas profissões invisíveis no Brasil. E muitos aprenderam a importância dos caminhoneiros nesta greve. Em um país onde o transporte de mercadorias é quase exclusivamente feito por rodovias, é paradoxal que não se valorize os caminhoneiros. Também não valorizamos várias outras categorias mas quando uma delas faz greve torna-se visível! Até voltarem ao trabalho, claro.
- Manter a calma em situações adversas é fundamental. Parar, respirar, raciocinar, buscar soluções inteligentes.
- É inconcebível que um país com tantos rios navegáveis e com tanto potencial para manutenção de uma malha ferroviária eficiente ainda dependa quase que exclusivamente das rodovias para escoar a produção. A quem isto interessa, mesmo?
- Não há movimento social desprovido de política. De partido político é possível que haja, de ideologia política não. Definitivamente não.
- A corrupção é uma cultura forte no Brasil e não apenas entre os políticos. Com pouco combustível nas bombas, vimos notícias de pessoas presas por "furarem" a fila de abastecimento com carros oficiais falsos ou ambulâncias que enchiam o tanque para repassar a gasolina a carros particulares ou amigos de autoridades e donos de postos que não tiveram problemas para abastecer... Enfim, não faltam (maus) exemplos.
- É preciso verificar a veracidade de uma informação recebida no WhastsApp antes de sair repassando. Seja ela qual for.
- Seja lá qual for o assunto, vai ter meme na internet em poucos minutos.
- Esta mesma criatividade foi utilizada para a substituição de legumes e temperos durante os dias da greve. Teve quem ficou triste com a normalização do abastecimento porque não vai ter mais esta desculpa para não comer salada.
Pode até ser muita areia para o caminhão transportar, mas aprendemos que é bom que ele esteja à disposição - ainda que precise fazer mais de uma viagem.
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