Se há uma coisa que eu gosto de fazer nesta vida é sorrir. E rir, também. Sempre gostei de comédias e shows de humor. Entretanto, há alguns anos, comecei a achar que havia algo de errado comigo porque poucas coisas me faziam rir, mas eu me considerava ( e considero ainda) uma pessoa alegre e feliz. Pessoas alegres e felizes sorriem e riem, não? Então, o que havia de errado comigo? Percebi esta mudança durante o casamento. Talvez um pouco antes, na fase de namoro ainda.
Meu ex-marido gosta e tem o hábito de ver muitos vídeos, séries e filmes na internet. Muitas vezes, ele estava vendo alguma coisa e gargalhando. Normalmente ele me chamava para ver ou eu perguntava o que era tão engraçado. Ele me mostrava as piadas ou esquetes humorísticas e ria novamente, mas eu, muitas vezes, permanecia séria e dizia apenas "não achei graça nenhuma". Quando isto começou a ficar frequente, ele começou a reclamar que eu não tinha senso de humor. E eu comecei a me perguntar se ele estava certo quando fazia esta afirmação.
Concluí, inicialmente, que o meu humor estava se tornando bastante sofisticado, exigente. Acredito que há uma certa verdade aqui. Depois, pensando mais sobre o assunto, descobri de quais piadas eu não conseguia rir. Eram daquelas que diminuíam pessoas. Um acontecimento poderia ser o meu "eureka" em relação a isto. A infeliz ideia de fazer uma piada sobre loira com uma amiga loira. Ela me perguntou se eu achava mesmo que ela não era inteligente por causa da cor do cabelo. Não, muito pelo contrário. É uma das pessoas mais inteligentes que conheço. Ainda tentei brincar dizendo que era uma exceção porque é naturalmente loira e ela me fez uma nova pergunta: a tinta para cabelo tem mesmo o poder de modificar o QI de alguém? E então eu percebi o quanto eu estava sendo preconceituosa e ridícula. E era deste tipo de piada que eu não mais conseguia achar graça. Nem as de português, nem as de loira, nem as de nordestinos, mineiros, gordos, gays, mulheres, negros...
Durante uma aula esta semana, uma professora exibiu um documentário chamado "O riso dos outros", que faz uma análise sobre os limites do humor - com foco nos shows de "stand-up comedy" (quando o humorista se apresenta sozinho, sem cenário, com texto e piadas de própria autoria). É um filme brasileiro, produzido logo após o atentado terrorista que vitimou fatalmente cartunistas do Charlie Hebdo (jornal francês) e dividiu opiniões no mundo inteiro. O ataque teria sido motivado pelas frequentes charges que envolviam a religião muçulmana.
Há limites para o humor? Sim, e muitos limites. O humor é para rir com alguém e não de alguém. Ria de situações, de fatos, não de pessoas. Gostei bastante do documentário, das reflexões e questionamentos que trouxe. Pode ser encontrado facilmente no Youtube. Recomendo!
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