terça-feira, 3 de julho de 2018

O que as minhas plantas me ensinaram

Já expliquei aqui como as plantas se tornaram um hobby na minha vida e a primeira lição que aprendi com elas - a importância da observação. Se você está com muita preguiça ou pouco tempo para dar uma olhada no texto anterior, eu retomo o assunto: as plantas não pedem água, não dizem com palavras que gostam de ficar na sombra ou que adoram banho de sol. Você precisa observar, perceber, sentir, escutar as palavras não ditas. As plantas nos dão sinais. Elas murcham, secam a terra, jogam água para fora do vaso, inclinam-se na direção do sol, apresentam folhas viçosas ou desbotadas. Tudo isto para dizer "gosto deste lugar" ou "não estou feliz aqui" ou "isto não me faz bem". 

A segunda lição que aprendi com as minhas plantas veio de uma metáfora (lógico!!!!!). Há pessoas que também não conseguem se expressar com palavras. E não estou me referindo à alfabetização em um idioma. Refiro-me à alfabetização em sentimentos. Também já falei isto por aqui. Somos estimulados o tempo inteiro a pensar, mas não a sentir. Muita coisa mudou na minha vida quando descobri que também sinto. "Como assim, criatura???? É óbvio que você sente". Às vezes o óbvio não é tão óbvio assim e por mais paradoxal e confuso que seja acredito que o sentir também é racional. Não, não surtei. O sentir é muito além de experimentar sensações, é aceitar (racionalmente) o sentimento - principalmente quando ele é um daqueles socialmente condenáveis...

As plantas se parecem com os sentimentos também (outra metáfora, adoro!!!!). Se você não aprende a lidar com ele, se não o cultiva, o sentimento morre. Ouvi isto a vida inteira, mas hoje olhando para as minhas plantas eu percebi um detalhe pela primeira vez e um questionamento apareceu: se o sentimento é seu, cabe somente a você o cultivo? E qual a responsabilidade do outro?. Quando comparamos uma história de amor a uma planta, na verdade estamos nos referindo à relação, não ao sentimento. A relação sim é responsabilidade de mais de um, o sentimento não. Não vou detalhar minhas ideias agora para não fugir do tema e zerar minha redação (ops!).  

As minhas plantas também me ensinaram que não se muda a essência de ninguém. Uma delas, quando chegou aqui, era uma pequena muda com três folhas uma bem próxima à outra. Plantei a mudinha e sempre olhava para ver se ela estava se desenvolvendo. Nada acontecia. Não crescia um milímetro sequer. E então veio uma fase de (ainda mais) correria na minha rotina e durante um tempo que não sei precisar, eu regava as plantinhas no "modo automático", sem nem prestar atenção nelas. Voltando ao ritmo (frenético) normal, eu levei um baita susto quando vi que as três folhinhas já eram sete. Elas cresceram e eu não percebi. Cresceram quando elas quiseram, no tempo delas, não pela minha vontade e na hora que eu desejei. O tempo foi passando, e percebi que as folhas novas nasciam também próximas uma da outra. Ainda jardineira amadora, eu pensei: o vaso já está pequeno.. 

E as lições continuaram! Mudei-a para um vaso maior e resolvi plantar as folhas mais afastadas uma da outra. O que aconteceu? Começaram a nascer novas folhas em volta de cada uma das folhas que eu separei. Era um recado da natureza para mim "fica quieta aí no seu canto e não se mete com a gente não". As três folhinhas iniciais estão lá no centro do vaso, sendo aos poucos rodeada por outros conjuntinhos de três folhas com o dobro ou triplo do tamanho das pioneiras. É a essência dela ter as folhas assim, ela só vai mudar se ela quiser. E ela não quis nem quer. Cabe a mim respeitar. 

Da mesma forma quando colocamos algum pedaço de madeira ou outra coisa do tipo para "guiar" o crescimento da planta. "Cresça para cá, eu quero você aqui". Por mais que você mostre um caminho, é o seu caminho. Você pode apontar uma direção, mas a decisão só lhe cabe se os pés que vão percorrer o trajeto são os seus. E se as coisas não acontecem como a gente espera, é porque elas vão acontecer do jeito que precisam acontecer. E isto pode ser ótimo. Assim com as plantas, assim com as pessoas. 

E, por fim, a última das lições que minhas plantas me ensinaram (por ora) é a não desistir fácil das coisas. E nem das pessoas. Algumas das minhas plantas já morreram sim. Como eu disse anteriormente, a gente precisa aprender a cuidar delas e nem sempre dá tempo. Entretanto, muitas eu consegui "salvar" e hoje estão lindas. Foi assim que descobri como é prazeroso para mim ver o desenvolvimento da planta (e de uma pessoa também). E saber que fiz/faço parte do processo é uma satisfação que não tem dinheiro nenhum no mundo que pague. 

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