segunda-feira, 2 de julho de 2018

"Com tiranos não combinam brasileiros corações"

"Nasce o sol a 2 de julho
Brilha mais que no primeiro
É sinal que neste dia
Até o sol, até o sol é brasileiro"

Dia de jogo da seleção brasileira pelas oitavas de final de Copa do Mundo da Rússia, mas o baiano não podia deixar de homenagear os heróis da independência. O início da comemoração foi antecipado mas as ruas não se esvaziaram, o que comprova que é possível sim torcer pelo futebol sem esquecer das lutas cívicas. O 2 de julho é uma data de importância singular para a história brasileira, mas apesar disto negligenciada e pouco valorizada - inclusive na Bahia, palco do episódio, quando se aceita a mudança do nome do aeroporto da Capital (que era 2 de julho) para homenagear um político cujo maior feito é ser descendente de um dos ícones do Coronelismo no Brasil. 

A independência do Brasil foi um grande "acordão" para a maioria do país. Entretanto, em alguns estados houve batalhas sangrentas pela liberdade antes mesmo da folclórica cena do Ypiranga. O brado retumbante de um povo heroico não foi ouvido às margens do rio paulista, mas nas províncias que continuaram sob o domínio português depois de 7 de setembro de 1822. Entre elas, a Bahia, que conseguiu expulsar definitivamente os lusitanos e retomar a Capital Salvador em 2 de julho de 1823. O episódio é crucial na consolidação da independência brasileira, visto que era um dos locais com maior foco de resistência dos europeus. Ainda assim, é uma história que não se conta. 

A história da minha Bahia me enche ainda mais de orgulho quando vejo duas mulheres como heroínas. A freira Joana Angélica, que tentou impedir a invasão de tropas portuguesas ao Convento da Lapa e foi assassinada, e Maria Quitéria (que se alistou escondida do pai e é comparada ao Duque de Caxias pela atuação militar). A Bahia da Revolta dos Alfaiates, movimento separatista tão importante quanto a Conjuração Mineira. A Bahia onde os portugueses aportaram em 1500. A Bahia que abrigou a primeira Capital da colônia. A Bahia que ajudou a consolidar a independência do Brasil. Dá licença, modéstia, mas eu tenho que comentar: Brasil, você não seria o que é sem a Bahia. 

Acho que nascer, crescer e morar na Bahia tem muita influência no meu modo de ser. E como eu sou feliz por isto. Ser baiana é um presente, ser de Salvador então... uma dádiva! 

Ah, antes que eu esqueça. Os versos que iniciam esta postagem são os primeiros do Hino ao 2 de julho, que também é hino estadual. Uma versão que gosto muito é a interpretação do Tatau (abaixo). O título da postagem também é um verso do hino, faz parte do refrão. 




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