quarta-feira, 13 de junho de 2018

Santo Antônio

A religiosidade do baiano é algo que me encanta, sobretudo pelo sincretismo. À exceção de algumas religiões cristãs neopentescostais mais fechadas, o que vemos é uma grande mistura. É uma fé gigantesca que abraça todas as formas de expressão de uma mesma divindade. Santo Antônio, por exemplo, que deveria ser homenageado hoje somente pelos seguidores da Igreja Católica - origem da crença. Entretanto, o que eu vi nas minhas redes sociais hoje foram vários espíritas saudando, agradecendo, louvando um dos santos juninos, o que ganhou a alcunha de "casamenteiro". 

Este fato me chamou a atenção porque, na Bahia, quando se fala em sincretismo religioso a associação imediata é Católico/Candomblé.  E isto porque os africanos trazidos pelos portugueses para serem escravizados no Brasil (maior vergonha de nossa história) "adaptaram" as próprias crenças para manterem vivas suas culturas e tradições. Assim, os orixás têm equivalentes entre os Santos Católicos e Santo Antônio seria o mais próximo de Ogum. E o Facebook está aí para provar que o sincretismo vai muito além da dualidade que mencionei. É muito abrangente. 

Qual a lição que fica? Que a espiritualidade é muito maior do que a religião. No final das contas, é ela, a espiritualidade, que importa. Acredito que o poder transformador é o da fé, mas da fé genuína, digamos assim. Eu questiono uma fé que se baseia em crença pelo temor de punições e é isto que as religiões, em geral, pregam. Aliás, eu questiono várias coisas nas religiões, por isto me afastei delas (falei um pouco sobre isto aqui).  E sigo respeitando quem pensa e age diferente. E encerro o dia sem uma vela, sem uma oração, sem um pedido ao "santo casamenteiro", ainda que solteira. Quer dizer, ainda não deu meia noite.... Dá tempo? Onde é que eu guardo velas mesmo? 

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