quarta-feira, 20 de junho de 2018

O vídeo da russa não é um caso isolado

Esta semana foi divulgado nas redes sociais um vídeo onde um grupo de homens brasileiros que estão na Rússia acompanhando a Copa do Mundo de Futebol faz uma garota russa acompanhá-los em uma espécie de "cântico" sobre o órgão sexual feminino. A mulher, evidentemente, não conhece o idioma e fica ali, sorrindo, sem saber que está sendo ridicularizada e vítima de machismo. 

Consumo de bebida alcoólica não é justificativa para este e outros atos de violência contra a mulher. A cultura também não. O Irã é um dos países que menos respeita os direitos das mulheres e isto é socialmente aceito e naturalizado pelos princípios religiosos. E hoje vemos mulheres iranianas comemorando o fato de que, na Rússia, podem ir ao estádio torcer pela seleção - e com a liberdade de vestir a roupa que quiser e mostrar o rosto. 

O machismo é um problema social dos mais graves. Como também o são a homofobia, o racismo e toda e qualquer outra forma de preconceito. Eles violam os direitos humanos mais básicos - vida, dignidade, liberdade. Todos os movimentos de reação não querem inverter o papel de vítimas e algozes, querem apenas acabar com as distâncias e construir uma sociedade igual. 

O racismo é crime previsto em lei, mas esta só é aplicada quando o caso se torna público e causa grande comoção social (ou rebuliço nas redes sociais, se preferirem). Ainda assim, os bons advogados penais conseguem articular daqui e dali para que se consigam absolvições e penas mais brandas. E assim seguimos com negros, gordos, homossexuais, mulheres, nordestinos, dependentes químicos sendo agredidos diariamente. As coisas andam se naturalizando por aqui também. 

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