Caminhoneiros param o Brasil reivindicando uma nova política de preços de combustível. A greve entra no quinto dia e uma crise de abastecimento se generaliza. Os insumos não chegam, sejam eles alimentos, medicamentos, equipamentos e, principalmente, combustível. Supermercados limitam o número de itens comprados por clientes, transporte público reduz operação, postos de combustíveis fecham, industrias paralisam produção. A cidade começa a parecer uma cidade fantasma. Só me lembro da canção de Raul Seixas 'O dia em que a terra parou".
O governo acusa os caminhoneiros de não cumprirem um acordo e convoca as forças armadas para acabarem com os bloqueios nas rodovias. As autoridades municipais traçam planos de contingência para tentar prolongar a vida útil dos serviços públicos com economia de combustível. Os postos de gasolina têm filas quilométricas até de pedestres (pessoas foram a pé porque o carro não tinha combustível). O cenário de caos em parte foi agravado por este comportamento da população. A corrida para encher o tanque aumentou a demanda e consequentemente fez o combustível terminar mais rápido (as notícias por aqui são que todos os postos do Estado estão fechados neste momento). O individualismo impera e ninguém pensou que se eu abasteço apenas o necessário para poucos dias, posso garantir o deslocamento de outros motoristas que farão o mesmo. Idem para as compras no supermercado. Adianta mesmo fazer estoque de perecíveis?
O que deveríamos fazer, penso, é nos unir aos caminhoneiros para reivindicar políticas públicas de interesse coletivo, mas fica difícil isto acontecer diante de um pensamento tão "eu, eu, eu". Assim com a greve, assim com as eleições. O voto é no candidato que promete um emprego, uma cesta básica, uma rua asfaltada, um benefício imediato individual. E a coisa vai se perpetuando em um ciclo vicioso. Elegemos representantes que não nos representam, sofremos com as medidas nefastas adotadas por estes cidadãos e compartilhamos um textão no Facebook de alguém que reclama da situação do país para parecermos inteligentes (ou nos revoltamos contra estes que reclamam porque não temos a menor consciência política). Certo, não é uma coisa tão simplista assim, mas eu me permito um momento de escrever superficialmente, no calor da emoção. As perspectivas de futuro são sombrias, mas meu jeito de não desistir fácil das pessoas me faz acreditar no Brasil.
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