Na semana passada, Salvador e Região Metropolitana registraram mais episódios da violência urbana que vitimiza tantas pessoas diariamente. Um caso especial, ceifou a vida de um policial, de um empresário e de um homem que roubava as cabines e os passageiros de uma praça de pedágio, acompanhado de outros. São vidas humanas que tão logo o noticiário encontre outro assunto para falar passarão a fazer parte das estatísticas para a maioria da população, mas não para as famílias que perderam entes queridos. Claro, quem sabe sua dor é que geme, como diz a sabedoria popular.
O caso me tocou bastante e sempre é assim, mas desta vez há um motivo especial. Alguém muito especial para mim foi afetado de alguma forma pelo acontecimento, por uma perda. A dor dele me angustia. Consigo imaginar algumas das razões que fazem o coração dele sofrer e não tenho como ficar imune a isso. O sofrimento do outro me afeta bastante, ainda mais quando este outro tem para mim a importância que este alguém tem. E por que estou trazendo este assunto agora? Porque até pouco tempo o sofrimento alheio me afetava além dos limites "normais", digamos assim.
Sentia-me responsável, angustiada, inquieta, triste, impotente por não resolver problemas que nem eram meus, mas as dores passavam a ser minhas. Meu ex-marido, olhando de fora, identificou esta característica em mim, a qual ele denominou "excesso de bondade" do meu coração. Somente meses depois, com o auxílio da terapia, acredito que encontrei um ponto de equilíbrio porque tentar fazer completamente o oposto e ser totalmente indiferente também não era a solução. Acredito que nem para mim nem para ninguém. Perder a sensibilidade é perder a essência humana. Que não seja este nosso caminho.
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