Minha paciência sempre foi bastante elogiada. Sim, ela parece ser infinita, mas não é. Se por um lado eu sou capaz de passar horas desembolando os fios do fone de ouvido (tenho habilidade quase zero para essas coisas), por outro, estou ficando com pouca paciência para os discursos de ódio e outros comentários desnecessários que vejo nas redes sociais.
Os mais recentes, por exemplo, se referem ao belo gesto do D.J Alok, que doou o cachê na participação do Carnaval de Salvador ao Projeto Axé, renomado projeto social na Capital baiana. Em meio a elogios pelo gesto e discussões sobre a importância das ONGs, leio coisas do tipo "todos os artistas deveriam fazer isso porque eles recebem dinheiro da Lei Rouanet" ou "ele só quer mídia, isso é marketing". Primeiro que a Lei Rouanet não distribui dinheiro a artistas, ela autoriza a captação de patrocínios e permite que os patrocinadores deduzam um percentual do imposto de renda devido. Segundo que os artistas podem e devem fazer o que bem entenderem com o dinheiro que recebem pelo trabalho deles. Sim, é trabalho, é profissão. Terceiro que não devemos sair compartilhando qualquer coisa que vemos na internet. Um pouco de pesquisa não faz mal a ninguém. Se não for por amor ao próximo, que seja para não passar vergonha falando o que não sabe ou divulgando mentiras como verdades. E, por fim, não julguemos. Como é que com base em uma manchete de jornal alguém pode afirmar tão categoricamente que a ação teve este ou aquele motivo?
Em tempos em que estou querendo e precisando me livrar destes "ladrões de tempo" que são as redes sociais, comentários como estes que postei no parágrafo anterior são um estímulo para passar cada vez menos tempo conectada. Claro que posso filtrar o que vejo, o que leio, mas é inevitável ver esse tipo de coisa (até porque algumas das atrocidades são escritas no próprio texto jornalístico e não nos comentários dos leitores). E vamos exercitando a paciência.
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