sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

Indignação seletiva?

Carnaval de Salvador, 2018. Um jovem que reside na região metropolitana volta para a residência onde está hospedado, em um bairro nobre da Capital baiana, por volta das três horas da manhã. O que acontece? É vítima de uma violência covarde de um homem que alega que "foi agredido no circuito do Carnaval e queria descontar em alguém". Câmeras de segurança de edifícios próximos flagram a agressão e o autor é identificado, preso e apresentado pela polícia à imprensa. A justiça age rápido também e decreta a prisão preventiva do acusado. 

A vítima, infelizmente, tem morte cerebral atestada. Chega ao fim uma vida de apenas 22 anos. E começam a circular nas redes sociais uma petição pública virtual que requer a punição do autor do crime. Clamor por justiça. Digno, muito digno, mas uma coisa me incomodou muito nessa história. Não há a mesma comoção quando a vítima é preta, pobre e da periferia. É como se na região mais pobre da cidade sempre houvesse "motivos" ou justificativas para homicídios. E, pior, muitas vezes o pensamento não verbalizado é que o garoto da zona nobre tinha um futuro brilhante pela frente e o da zona pobre ia cair no crime, então, morreria cedo mesmo. Hã?????

Não estou dizendo com isso que nada deveria ser feito, apenas que SEMPRE deveria ser feito. Sem indignação seletiva! A dor de uma família que perde um ente querido aos 22 anos de idade de maneira brutal e repentina é a mesma, independe da cor da pele, do endereço, da classe social, da religião ou de qualquer outra coisa. 

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