Uma amiga postou no Facebook que tinha 57 (cinquenta e sete) livros sem ler. Lembrei que a última vez que contei a quantidade de livros aguardando na minha fila de espera de leitura foi em 2009. Neste ano, em decorrência do famigerado trabalho de conclusão de curso, ou TCC para os íntimos, eu li apenas livros técnicos que embasaram minha pesquisa. E quantos livros estavam na categoria "não lidos" naquela época? Trinta e seis. Um número bastante razoável.
Seria natural que eu desse uma pausa de leituras pós TCC, afinal, entre capítulos e obras inteiras minhas referências bibliográficas tinham 61 (sessenta e um) itens lidos em um ano (mais de um por semana na média). Acontece que a pausa que me dei foi grande demais. São oito anos em que eu depositei minhas energias em outras fontes de entretenimento: jogos de celular e redes sociais, basicamente. Foram poucos os livros que li de lá para cá. Até mesmo os romances policiais, meus xodós, foram por mim abandonados.
E eu não parei de comprar e/ou ganhar livros. E a lista de espera de leitura foi crescendo, claro. A postagem da minha amiga me despertou a curiosidade e fui contar. Levei um grande susto! Correndo sérios riscos de ter me perdido na soma e o número ser ainda maior, tenho 95 (noventa e cinco livros) sem ler nas minhas estantes, ou seja, tudo que li para o TCC em um ano eu deixei acumular nos últimos oito anos. Decidi rever meus hábitos, minhas rotinas e reencontrar este velho prazer.
Foi libertador esta semana desinstalar meus joguinhos do celular. Gosto de jogos que desafiam minha inteligência. Só tinha aplicativos de treinamento cerebral, formação de palavras ou perguntas e respostas. Os games de guerras ou os "Candy Crush" da vida nunca me foram muito sedutores. A decisão de desinstalar os jogos veio da percepção do mundo de possibilidades que a leitura me oferece. Além de desafiar minha inteligência, vai exercitar meu cérebro, estimular minha memória, ampliar meus conhecimentos, meu vocabulário. Não estou dizendo que os jogos são ruins, apenas que vou inverter o tempo dedicado a eles (muito) e aos livros (nada).
Não vou estabelecer metas, vou ler cada palavra como se estivesse degustando um pedaço de bolo quentinho... (não podia deixar de lado as metáforas, rs). Escolhi retomar o hábito da leitura com Jorge, o Amado. A morte e a morte de Quincas Berro D'Água é o título da vez. Como é gostoso ver minha Bahia desfilando sem máscaras nas páginas de Jorge. A essência do ser baiano está ali, mudou pouca coisa ou nada do século passado para cá. Paisagens deslumbrantes, personagens fascinantes. Um universo de descobertas e prazer a minha espera.
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