segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Decisões

Outra postagem cujo tema apareceu naturalmente em uma conversa durante o dia: decisões. Algumas pessoas se consideram indecisas por natureza, outras têm momentos de indecisão diante de determinadas situações. E não se esgotam aqui as categorias de indecisos. Não gosto de limitar as possibilidades quando o assunto é ser humano. Acho que não funciona. E como foi que as decisões vieram parar aqui no blog? Quando eu falei uma frase que desencadeou uma série de ideias: nós decidimos o tempo inteiro, decidir é escolher e a vida é feita de escolhas (não serei modesta, eu acho que realmente sou boa nessa história de criar frases de efeito). 

A existência do blog é uma decisão. As postagens diárias outra. Decidimos o tempo inteiro, mas não pensamos sobre isso, apenas vamos fazendo as escolhas. O simples acordar envolve uma série de decisões, algo simples como a programação do despertador requer várias escolhas (que horas? celular ou rádio relógio? despertador convencional? qual o toque? qual o volume?). Banho quente ou frio? Vestir calça ou vestido? Qual a cor? Levar ou não levar o guarda-chuva? 

As refeições também são escolhas. Considerando um hábito normal de pessoas que não passam por privações em decorrência das finanças, há a decisão do cardápio, se consome ou não açúcar, se leva almoço para o trabalho, qual quantidade comer, qual o melhor horário para comer etc. Praticar ou não praticar atividades físicas? Qual delas eu vou praticar, se decidir por um sim? E qual a programação do final de semana? Cinema? No mínimo uma dezena de opções em cartaz. 

E é assim o dia inteiro. Colocar as contas no débito automático? Beber água primeiro ou ir ao banheiro primeiro? Passar no caixa eletrônico na ida ou na volta do almoço?  O telefone toca, você tem a opção de não atender ainda que seja seu chefe. Apesar de ser uma coisa que fazemos naturalmente a maior parte do tempo, decidir, em alguns momentos, ganha ares solenes. E isso assusta algumas pessoas, que preferem que outros decidam por elas para não ter que carregar o peso da culpa, caso se mostre a opção menos adequada. Isto porque para todas as decisões há uma consequência, como nos ensina a Física na lei de ação e reação. E se a decisão for adequada? Vai deixar de receber os méritos também? E qual o problema em fazer ajustes em planos inicialmente traçados, mudar decisões? Absolutamente nenhum. 

Não se pode ceder ao outro o poder de decisão sempre. Deixar que o companheiro escolha um filme porque os últimos foi você escolheu, ou decidirem juntos a cor do quarto do bebê é normal, é saudável, mas há decisões que precisam ser suas porque são sobre a sua vida. Quando você vai trabalhar, é você que está lá. Então, se surgir a vontade de mudar de carreira, por exemplo, é você que tem que resolver. E tantas e tantas outras coisas. Pedir e/ou ouvir conselhos ajuda, mas precisamos andar com as nossas próprias pernas. Foi tão natural quando a gente começou a fazer isso. Apoiamos em algum lugar, ouvimos um incentivo da mamãe ou do papai ou de quem estava perto e simplesmente decidimos que era a hora de arriscar os primeiros passos. Assim, de forma intuitiva. Caímos, levantamos, e não ficamos com medo, vergonha ou qualquer outro sentimento limitante que nos impedisse de arriscar mais uma vez, e outra, e outra, até não cair mais. 

Acho que a razão para atribuir a decisão de nossas vidas a outra pessoa é bem individual e não precisa ser sempre a mesma. Pode ser medo, insegurança, vergonha, baixa estima e uma série de outras coisas, até mesmo o cansaço. Eu já tive momentos assim, quem não? É uma sensação maravilhosa assumir o papel de protagonista na sua própria vida. Ter alguém para aplaudir, incentivar, elogiar, chorar no ombro, é muito bom. E é melhor ainda a alegria e/ou a tristeza e o crescimento que vem das nossas próprias escolhas. 

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