sábado, 6 de janeiro de 2018

Desmontando a árvore de Natal

Sempre gostei do Natal mas cresci em uma casa onde ele não era comemorado. Depois que minha avó materna se foi, a festa perdeu o encanto para a minha mãe e ela mal decorava a casa. Os últimos anos do casamento com meu pai agravaram as coisas. Com ele desempregado, a situação financeira não era das melhores e quando ele saiu de casa a coisa apertou de verdade. O estímulo dela, portanto, era próximo a zero. Uma tolha vermelha e verde na mesa de jantar era o máximo que acontecia (todos os anos a mesma toalha). Ah, ela gostava de fazer bacalhau todo dia 25 de dezembro, chegava a separar uma parte do décimo terceiro para se dar esse pequeno presente que era mais tradicional que o show de Roberto Carlos (único dia que ela dormia mais tarde e me permitia dormir também, para que eu fizesse companhia a ela- muitas vezes eu dormia antes de acabar). 

Entendo as razões de minha mãe, mas eu não compartilhava da mesma melancolia. Minha avó partiu quando eu era bem pequena e eu só conheci as festas na casa dela (Natal, dia das mães, etc) pelos relatos de minha mãe e meus tios. Não fui uma criança religiosa, não fui uma adolescente religiosa, não sou uma adulta religiosa. Não acredito no Deus como as religiões pregam, mas respeito e entendo as crenças de todo mundo, cada um é livre para pensar e sentir como quiser. 

Eu cresci sonhando em ter uma árvore de Natal cheia de luzes e enfeites. As luzes que sempre me fascinaram, que arrancaram meus mais lindos sorrisos. Consegui realizar este sonho no começo da vida adulta, assim que comecei a trabalhar. Ainda morava com minha mãe quando cheguei em casa com meu primeiro pinheirinho. Pequeno, coloquei no centro da mesa de jantar. Quando acendi o pisca-pisca, meus olhos brilhavam junto de tanta felicidade. 

A princípio o comentário de minha mãe foi de que eu poderia ter gasto meu dinheiro em outra coisa, mas depois ela acabou gostando de ver a casa iluminada. Os anos foram passando, eu casei, deixei de morar com minha mãe, a árvore de Natal foi crescendo, crescendo, crescendo... A cada ano eu mudo a decoração do pinheiro e tenho uma "nova" árvore. Ela já foi toda vermelha, vermelha e dourada, colorida, verde com lilás, prateada, somente com enfeites de Papai Noel (outra paixão para mim, os enfeites com formato/estampa de Papai Noel). 

Este ano foi lilás e prata, com alguns detalhes em vermelho. Montei logo que voltei da viagem a Florianópolis, no começo de dezembro (os shoppings de Salvador já estavam enfeitados e vendendo produtos natalinos desde o começo de novembro). Mas... chega o dia em que ela precisa ser desmontada! Como eu não sou ligada a religiões, poderia fazer isso em qualquer data, embora o dia "oficial" seja hoje, o Dia de Reis. Há anos em que eu fico adiando o momento da despedida da árvore até meados ou final de janeiro, mas em geral faço isso no primeiro final de semana do ano. Acabei de desmontar a deste ano, uma das minhas favoritas até aqui e não poderia ser diferente pelo ano que 2017 foi para mim. Ficará nas boas recordações...





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