Evolução no mundo do trabalho: avanço ou retrocesso? Este foi o tema da redação do vestibular da Universidade Estadual da Bahia, cujas primeiras provas foram realizadas hoje. Duas professoras de redação, em entrevista a um portal de notícias local, falaram sobre uma certa "armadilha" no tema, com o emprego da palavra evolução. Segundo elas, o termo pode induzir o aluno a associar evolução com avanço. Queridas professoras, permitam-me discordar e agradecer pelo tema da postagem. :)
Ainda que haja este sentido de avanço ou desenvolvimento para a palavra evolução, ele não é o único. Basta uma olhada rápida no dicionário para encontrar, por exemplo, como definição, "uma nova fase em que entra uma ideia, um sistema..." . Pronto, está aqui a linha que segui na minha redação (sim, eu estou prestando vestibular novamente). E assim não fica estranho evolução e retrocesso em uma mesma frase. A associação imediata com o avanço pode ser mais natural na adolescência pela imaturidade, mas também pela pressa e pela "preguiça mental".
De forma geral, observo que a "preguiça mental" é séria candidata a ser o mal do século. Seria ela uma causa ou uma consequência do imediatismo, da pressa desenfreada, da impaciência? Escolha um game qualquer e coloque o nome dele no Google. Em meio a onde comprar, autoria e outras informações, certamente você encontrará fóruns sobre como passar da fase x ou dicas para ganhar mais pontos etc. E para quê você vai queimar pestanas tentando encontrar a solução para passar da fase x se alguém já pensou isso por você? Está tudo ali tão à mão...
Fazer cálculos na ponta do lápis? Somente na escola (quando o professor está olhando, claro). Passado o período de avaliações e de vestibulares, recorremos à calculadora até para somas e subtrações mais elementares. Também são cada vez mais raros aqueles debates sobre o que vai acontecer na novela. Não faz muito tempo que as rodinhas de conversa analisavam perfis de personagens e fatos passados para prever o futuro da trama, mas hoje todo mundo já leu os resumos da semana e a conversa não é mais sobre o futuro, mas sobre o passado. Sobre como a interpretação de Fulano foi boa ou ruim naquela cena de ontem. Isto é um avanço? Um retrocesso? Uma evolução!
E poderia citar mais dezenas ou centenas de exemplos de "preguiça mental" mas prefiro deixar um questionamento. O que podemos esperar do futuro quando este está nas mãos de jovens que têm preguiça de pensar? São jovens conectados que leem, quase que exclusivamente, a linha do tempo no Facebook e que aguardam o livro ser transformado em filme - porque ler demora e eles estão sempre com pressa. E os adultos também, sempre na batalha com o relógio. Não temos tempo para nada, por isso precisamos das coisas facilitadas, dos tutoriais do youtube, dos artigos prontos no Google.
E se o Google evolui a ponto de você começar a escrever algumas letras na barra de pesquisa e ele já sugerir mil opções? É um avanço ou um retrocesso? Vamos seguindo os roteiros, os "passo-a-passo", nada fora do script. Até que nos deparamos com uma redação (em seleções ou para fazer um requerimento qualquer ou mandar um e-mail comercial) e não sabemos o que escrever. Mesmo que o professor tenha ensinado o "esquema" de dividir o texto em não sei quantos parágrafos, colocar não sei quantas linhas em cada um, não temos "músculos" para preencher o "esqueleto". Não temos ideias, não temos argumentos, não temos vocabulário, não sabemos as regras de concordância, não temos conhecimento. Ah, mas temos um diploma! Avanço ou retrocesso?
De forma geral, observo que a "preguiça mental" é séria candidata a ser o mal do século. Seria ela uma causa ou uma consequência do imediatismo, da pressa desenfreada, da impaciência? Escolha um game qualquer e coloque o nome dele no Google. Em meio a onde comprar, autoria e outras informações, certamente você encontrará fóruns sobre como passar da fase x ou dicas para ganhar mais pontos etc. E para quê você vai queimar pestanas tentando encontrar a solução para passar da fase x se alguém já pensou isso por você? Está tudo ali tão à mão...
Fazer cálculos na ponta do lápis? Somente na escola (quando o professor está olhando, claro). Passado o período de avaliações e de vestibulares, recorremos à calculadora até para somas e subtrações mais elementares. Também são cada vez mais raros aqueles debates sobre o que vai acontecer na novela. Não faz muito tempo que as rodinhas de conversa analisavam perfis de personagens e fatos passados para prever o futuro da trama, mas hoje todo mundo já leu os resumos da semana e a conversa não é mais sobre o futuro, mas sobre o passado. Sobre como a interpretação de Fulano foi boa ou ruim naquela cena de ontem. Isto é um avanço? Um retrocesso? Uma evolução!
E poderia citar mais dezenas ou centenas de exemplos de "preguiça mental" mas prefiro deixar um questionamento. O que podemos esperar do futuro quando este está nas mãos de jovens que têm preguiça de pensar? São jovens conectados que leem, quase que exclusivamente, a linha do tempo no Facebook e que aguardam o livro ser transformado em filme - porque ler demora e eles estão sempre com pressa. E os adultos também, sempre na batalha com o relógio. Não temos tempo para nada, por isso precisamos das coisas facilitadas, dos tutoriais do youtube, dos artigos prontos no Google.
E se o Google evolui a ponto de você começar a escrever algumas letras na barra de pesquisa e ele já sugerir mil opções? É um avanço ou um retrocesso? Vamos seguindo os roteiros, os "passo-a-passo", nada fora do script. Até que nos deparamos com uma redação (em seleções ou para fazer um requerimento qualquer ou mandar um e-mail comercial) e não sabemos o que escrever. Mesmo que o professor tenha ensinado o "esquema" de dividir o texto em não sei quantos parágrafos, colocar não sei quantas linhas em cada um, não temos "músculos" para preencher o "esqueleto". Não temos ideias, não temos argumentos, não temos vocabulário, não sabemos as regras de concordância, não temos conhecimento. Ah, mas temos um diploma! Avanço ou retrocesso?
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