Motorista e pescador têm algo em comum: as histórias para contar! Eu nunca pesquei, mas dirijo. E tenho algumas histórias para contar neste Dia do Motorista. Todas são da época dos primeiros quilômetros. Escolhi três de muitas. Vamos exercitar a narração...
A primeira história é breve. Na verdade, nem é uma história. Um belo dia minha mão bateu em um comando do carro e uma luz azul apareceu no painel. Eu adoro a cor azul e achei aquilo lindo. Nem procurei saber onde eu tinha batido a mão, estava adorando... E achava que os outros motoristas também estavam. De repente todos começaram a sinalizar com luzes para mim e eu pensando que eram cumprimentos gentis no trânsito. Até que comecei a namorar e o namorado muito mais experiente no volante foi dirigir meu carro e perguntou qual a razão dos faróis altos. Desconhecimento, ignorância, inexperiência. Apenas estas as razões. Não fazia a menor ideia de que a luz azul era para indicar o farol alto e que estava cegando as pessoas no trânsito. Não eram cumprimentos, eram pedidos para que eu baixasse a luz. Ops!
A próxima história é também uma trapalhada. Depois de fazer o teste para tirar a carteira de motorista várias vezes eu ainda tinha trauma de estacionar quando era para fazer baliza. E foi assim que, completamente nervosa, levei horas para colocar o carro em uma vaga onde caberia uma carreta. O pensar que não seria capaz travava minhas ações. O episódio foi em um shopping e as buzinas impacientes me deixavam mais nervosa e a coisa não andava. Por sorte (ou não) estava acompanhada de uma amiga que aceitou pagar o mico de descer do carro e bancar a flanelinha. Vexame.
E por fim, a contramão. Eu estava voltando para casa quando parei em um cruzamento. (Se você mora ou conhece Salvador, foi aquele do Hiperposto, saindo do posto). Uma moto estava na minha frente e quando o sinal abriu, eu o segui. Só que o piloto pegou a contramão em uma avenida super movimentada. Quando ele percebeu o que aconteceu, passou pelo canteiro central da avenida para a pista certa. Eu não podia fazer isso, nem espaço havia. Detalhe: eu tinha cinco meses de carteira. Fiquei desesperada quando vi os carros vindo na minha direção, mas de repente percebi que estavam diminuindo a velocidade. Pararam. A esta altura eu já tinha deixado o carro interromper de tão nervosa que eu fiquei. Um motorista desceu do carro e veio falar comigo. Perguntou o que aconteceu, se eu estava bem. Eu não sabia onde enfiar minha cara de tanta vergonha. Tentei ligar o carro mas tremia tanto que não conseguia. Ele, todo paciente, disse "nós já paramos o trânsito, pode se acalmar ou você não vai conseguir tirar o carro do lugar". Estas palavras me acalmaram instantaneamente. Liguei o carro, agradeci, manobrei e saí. Já em casa, pensei no que poderia ter acontecido e comecei a chorar. Na semana seguinte, passei novamente pelo mesmo trecho. Eu tinha a opção de fazer outro trajeto mas fiz questão de passar pelo mesmo lugar. Pensei "se eu não enfrentar vai se tornar um trauma". O sinal fechou novamente (é raro pegar ele aberto) e saí devagar, desta vez com um carro à frente. Peguei a pista certa, comemorei, gargalhei, estava feliz. Adeus, trauma. Tenho certeza de que enfrentar este medo e vencer colaborou e muito para que eu seja a motorista que sou hoje.
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