O baiano do Capital não se sente nordestino até chegar o São João. Aí é uma debandada geral para o interior do Estado, onde a festa é mais tradicional, ainda que o calendário não ajude muito e seja somente um final de semana (o jogo do Brasil ontem ajudou a fazer um "feriadão"). São mesas fartas de muitas comidas típicas, ruas enfeitadas (em ano de Copa o verde e amarelo predominam), bombas, fogueira, muita bebida, paquera, quadrilhas que ainda lutam para manter a cultura viva, forró que já divide espaço com o dito sertanejo universitário. Roupas com padronagem xadrez, chapéu, botas de couro para dar um ar "country" a uma festa regional.
O problema da generalização de qualquer coisa é que tem sempre alguém com sua individualidade. Eu sou baiana da capital, eu não me sinto nordestina... nem quando chega o São João! Gosto de algumas das comidas típicas, mas não aprecio em nada, absolutamente nada, a fogueira e as bombas. Acho que ficamos os cachorros e eu apavorados com os estouros dos fogos. Mais do que o barulho, o que me incomoda é o cheiro da fumaça e da pólvora. Também não sou muito fã de forró e acho a padronagem xadrez horrorosa. Licor não desce. Enfim, sem identificação.
Certa vez, acho que em ano de Copa também, meus vizinhos resolveram acender uma fogueira na rua onde eu morava. Claro que a fogueira foi montada bem em frente à janela do meu quarto. Não teria graça se não fosse assim. Quando eu deitei para dormir, a fogueira ainda não estava acesa, mas no meio da noite acordei achando que tinha morrido e estava no inferno ou que a casa estava pegando fogo. Era um calor, uma claridade e um cheiro de fumaça absurdos. Eu mal podia respirar. Levei muito tempo para pegar no sono novamente e isto só foi possível porque neste dia São Pedro mandou uma chuva torrencial e não teve jeito de colocar fogo na madeira molhada.
Este ano fui a uma festa junina e achei bem divertido. Aquelas festas de Capital mesmo, em salão de festas de edifício (não pode ter bomba - meu nariz agradece), sem muita criança (quem mais insiste para que se quebrem as regras do condomínio), com hora marcada para baixar o som. Com muita cerveja e pouco licor (certo, para mim não faz diferença porque não gosto de bebidas alcoólicas). Algumas comidas típicas, mas também outras opções de cardápio. E todo mundo se divertindo assim mesmo porque o importante é aproveitar o momento. E eu até dancei forró e fiz parte da quadrilha... quem diria!!!! Nem eu acredito. Encontrei uma festa junina que é a minha cara.
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