Entre a primeira e a segunda graduação eu tentei cursar Administração. Acabei não me identificando com o curso e abandonei. Não sou de desistir fácil das coisas nem das pessoas, por isto mesmo esta decisão só veio no terceiro semestre. E o que tem isto a ver com a doação de sangue? O curso era em uma universidade estadual (a da Bahia mesmo). A instituição de ensino não proibia o trote, pelo contrário, até estimulava. Hã???? Verdade!!! O trote para os calouros era uma gincana solidária, de participação voluntária. As equipes eram formadas por alunos de mais de um curso. Os meus colegas de Administração, por exemplo, reuniam-se aos de Química.
Não sei se o trote permanece assim porque isto foi há muitos anos, mas eu acho uma iniciativa bastante positiva. As tarefas eram arrecadar donativos para instituições de caridade (alimentos, material de limpeza/higiene pessoal, brinquedos, material escolar e livros). Sempre alguma coisa ligada à responsabilidade social. Uma das tarefas era conseguir o maior número de doadores de sangue. Eu decidi faltar os dois ou três primeiros dias de aula justamente pelo trote (ainda não sabia como era). Quando eu cheguei para o (meu) primeiro dia de aula foi justamente no dia tarefa de doação de sangue. Os colegas me convidaram e eu fui até o centro médico.
Estava aguardando e tentando criar coragem porque sempre foi um problema para mim tirar sangue para exames e eu imaginava que a doação seria tão traumática quanto (não é qualquer técnico de enfermagem que se entende com minhas veias e já passei por experiências horríveis). Um dos técnicos veio falar comigo e perguntar se eu faria a doação. Eu respondi que estava tentando criar coragem. Ele me perguntou meu tipo de sangue e eu respondi "A negativo". Foi então que ele me disse uma frase que eu nunca esqueci. "Você tem obrigação de doar. Somente 15% da população tem sangue negativo e destes 15% a maioria e tipo 'O''.".
A responsabilidade destas palavras me encheram de coragem e eu fui passar pela triagem. Fui impedida de doar porque estava menstruada e prometi a eles e a mim que eu voltaria. Nunca voltei. Nunca fui a outro centro. A coragem daquele dia não mais voltou. Até porque durante estes anos já passei por mais experiências ruins com as agulhas. Dia 14 de junho é o Dia Mundial do Doador de Sangue e as palavras daquele técnico voltaram a ecoar em meus ouvidos. Acho que é tempo de vencer novos desafios. Eu já faço doações de carinho, de dinheiro, de escuta, de atenção, de brinquedos, de alimentos, de sorrisos. Falta o sangue. Apareça, coragem!!!!

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