Quem não vê novelas (meu caso) sempre acaba sabendo alguma coisa sobre a trama pelas conversas que ouvimos aqui e ali. Esta semana, mais uma estreia no horário das 21h da Rede Globo: Segundo Sol. Uma novela que começou com polêmica por trazer 80% dos atores brancos para contar histórias de pessoas que moram em Salvador - uma cidade com 80% de pessoas negras. As principais críticas não aceitavam o argumento de que há poucos atores negros. Realmente é uma falácia. Temos muitos (bons) atores negros. Eles não têm, em geral, a mesma fama e reconhecimento dos atores brancos, mas não seria diferente nesta sociedade brasileira extremamente racista.
Ao que tudo indica, a polêmica foi um bom marketing para a novela. A audiência começou muito bem, obrigado, inclusive na Capital baiana, onde a Rede Globo estava perdendo telespectadores para as novelas bíblicas ou infantis exibidas pelas emissoras concorrentes. Seja para criticar, por hábito ou porque se encantou com a trama, os soteropolitanos estão de olho na televisão. A Rede Globo, claro, comemora. É mais ou menos aquela estratégia do "falem bem ou falem mal, mas falem de mim". Audiência atrai anunciantes, que precisam pagar pelo espaço no intervalo comercial. A caixa registradora agradece os trending topics no Twitter.
Eu não assisti a nenhum capítulo de Segundo Sol. Sei "por alto" que é a história de um cantor de axé em decadência na carreira que é dado como morto - e resolve assumir o boato como verdade porque a vendagem de discos aumenta com a comoção nacional. Ler as postagens sobre Segundo Sol me trouxe momentos saudosistas do auge do axé. Músicas que falavam de amor com uma batida cadenciada do samba-reggae, outras com letras de duplo sentido e todas nas paradas de sucesso. Como exemplo, esta canção da Banda Eva, interpretada por Ivete Sangalo no começo da carreira.
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