Hoje ouvi alguma coisa sobre "Orgulho e Paixão" e fiquei sabendo que é o nome da novela exibida na faixa das 18h pela Rede Globo de Televisão. Percebi o quanto este produto da teledramaturgia não faz parte de minha rotina há algum tempo. Busquei na memória qual foi a última novela a que assisti e encontrei como resposta "Cheias de Charme". Busquei no Google o ano de exibição da novela e encontrei como resposta "entre abril e setembro de 2012". E de busca em busca eu resolvi fazer um resumo da minha relação com as novelas. Será que daria uma novela?
As minhas lembranças mais remotas de infância em relação à novelas são de como minha mãe se orgulhava da minha performance de cantora/dançarina quando começava "Elas Por Elas" . Eu dava show de segunda à sábado, aos três anos de idade (fiz quatro poucos dias antes da exibição do último capítulo, segundo o Google). O detalhe é que ninguém acreditava quando ela falava isso, porque ela pedia para cantar e eu emudecia. Eu não sei se o que me envergonhava era o fato de eu ter inventado uma parte da letra (tinha uma parte que eu não entendia) ou se era do fato de desafinar até falando.
A recordação seguinte traz um belo dia em que eu estava cantando a música tema de abertura de "A Gata Comeu" e meu pai chegou para uma visita bem na hora. Ele disse que me ouviu cantar do playground do prédio. Não sei se foi a maior a vergonha ou a reza para que ninguém mais tivesse ouvido ou fosse mentira dele (havia uma grande possibilidade em relação a esta última opção). Hoje eu já não gosto mais da música de abertura de "A Gata Comeu" mas a de "Elas Por Elas" e outras como "Livre Para Voar" e "Um Sonho A Mais" não saem da minha playlist.
E a última lembrança da infância em relação às novelas não está relacionada à aberturas mas sim ao dia em que eu desafiei o perigo. Minha mãe não me deixava ver as novelas das 21h (acho que na época era das 20h ainda) porque não eram "temas para criança". Sempre fui curiosa e nada humilde, achava que eu era inteligente o suficiente para entender as coisas. Quando eu cresci eu percebi que minha mãe concordava com este meu argumento, e era justamente este o motivo da proibição (risos). E então, um belo dia, eu demorei a pegar no sono ou algo assim e resolvi levantar da minha cama e ir sorrateiramente até a sala (andar sem fazer barulho é uma das minhas habilidades).
Os móveis estavam dispostos de uma maneira que favorecia o meu esconderijo atrás de um deles, em um ângulo que me permitia ver a televisão. E fiquei ali, alguns minutos, sentindo-me a Welma do Scooby Doo revelando os mistérios. A novela era Roque Santeiro. Estava indo tudo muito bem, mas apareceu o lobisomem. A pessoa que se achava "a adulta" se assustou e fez barulho (acho que chutei alguma coisa). O inevitável aconteceu: fui descoberta! Agora não sabia se o medo maior era do lobisomem ou de minha mãe. Não levei uma surra, mas da bronca eu não fui perdoada. E nem da ameaça de surra dobrada se descumprisse as regras novamente. De certa forma, o lobisomem era uma garantia para a minha mãe de que eu não voltaria a desobedecer as ordens dela.
Fui crescendo e o ver novelas tornou-se um hábito até o começo dos anos 2000 mais ou menos. Normalmente acompanhava a novela das 19h, eu nunca chegava a tempo de curso/estágio/trabalho ou qualquer outra coisa que ocupasse minhas tardes para acompanhar as tramas das 18h. Estas eram somente em férias/sábados/feriados e leituras dos resumos no caderno de televisão do jornal aos domingos. Com a chegada da adolescência/vida adulta, fui "promovida" a companhia de minha mãe na hora das novelas das 21h, mas o deixar de ser proibido fez com que elas me interessassem pouco. Acompanhei algumas, mas não com entusiasmo. E depois fui trocando as tramas da telinha pelas tramas dos livros. A relação com a novela acabou, mas foi bom enquanto durou.
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