quarta-feira, 11 de abril de 2018

O tema era inveja até eu descobrir que não era inveja

Explicando o título... a ideia inicial era escrever sobre inveja fazendo uma confissão sobre um sentimento que me dominou por algumas horas hoje. Decidi começar com uma definição para o sentimento e descobri que não foi inveja o que senti, foi cobiça. Sim, há uma diferença entre os termos e não, não observamos isso e colocamos tudo na conta da inveja. Quando é inveja? Quando traz ódio ou raiva por algo que outra pessoa possui e nós não, e queremos destruir esse "algo". E quando é cobiça? Quando querermos o algo para nós, mas sem a intenção de destruir. E eu não queria destruir a bonequinha, só queria ela enfeitando minha humilde residência cheia de significado...

Devidamente explicadas as diferenças entre os sentimentos, um breve relato sobre a situação. Uma professora exibiu para a turma o presente que acabara de ganhar: uma boneca artesanal que representava a artista mexicana Frida Kahlo. Pronto, bastou para a cobiça se apresentar em mim. A vontade era pegar a bonequinha, gritar "é minha" e sair correndo, mas foi uma ação que ficou somente em pensamento e não foi porque eu não gosto de correr. É que existe uma moça sensata chamada ética que freia algumas das nossas atitudes e deixa tudo ali no pensamento, apenas. Medo da repressão? Talvez. Neste caso foi apenas lembrar de não fazer ao outro o que não gostaria que fizessem com você. Uma contribuição da filosofia de Kant (de quem eu tive muito ranço outrora).

Uma coisa boba, do cotidiano, sendo objeto de reflexões por aqui. Pensemos sobre elas. 
  1. Será uma mera questão linguística a confusão que fazemos entre inveja e cobiça?
  2. Por que sempre nos colocamos na posição de vítimas quando o assunto é inveja? Somos sempre os invejados? Por que temos dificuldade de assumir que somos capazes de ter este sentimento de forma pontual ou contínua?
  3. Diante de uma coisa tão negativa a ponto de não assumirmos que sentimos, será que existe possibilidade de haver uma inveja boa?
A propósito, assumi minha cobiça praticamente publicamente e perguntei a professora se a embalagem tinha o nome da loja. Tinha nome e endereço. Não é um bairro que eu costumo frequentar, mas já que estou em uma fase de novas descobertas, por que não descobrir novas lojas?

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