Dia do Índio é mais mais ou menos como o Dia da Mulher: o número de motivos para comemorar é muito menor do que o número de batalhas que ainda precisam ser vencidas. Uma população praticamente dizimada por interesses mercantis que ainda persistem. Em nome do "progresso", o dinheiro ameaça reservas indígenas e, consequentemente, as pessoas que nelas vivem. Parece estranho a você utilizar a palavra pessoa para se referir aos seres humanos que extraem da natureza apenas o essencial para o próprio sustento? Para alguns parece estranho. Estranho, injusto, inaceitável. Então, eles levantam a bandeira do fim das políticas afirmativas (reparadores), da meritocracia, dos estereótipos que se perpetuam de geração em geração com coisas do tipo cocar de cartolina nas cabeças das crianças em idade pré-escolar. E estas bandeiras se transformam em projetos de governo de candidaturas que estão conquistando cada vez mais popularidade.
Dia do Índio e a única matéria que encontro em grandes portais de notícias é a narrativa épica de uma menina da aldeia que ingressou em uma faculdade de Direito e "sonha em ser juíza". Ela sonha, ela não planeja, diz a manchete. Não tive como ler a notícia de imediato e quando voltei ao portal para procurá-la, simplesmente não estava mais na primeira página. Substituída por assuntos mais atuais e/ou relevantes, como a foto de biquíni que a famosa postou no Instagram. Talvez até tenha sido melhor não ler a matéria, a decepção com o título podia ser agravada em uma escala sem limites. Os índios muitas vezes são privados de direitos fundamentais, uma triste realidade. Não acho que o teclado do jornalista vai mudar o mundo mas insisto na questão da responsabilidade social da notícia. Para encerrar, um desejo: dias melhores para nossos irmãos!
Nenhum comentário:
Postar um comentário