Analítica como me descobri (ou me aceitei?) nas dinâmicas e ferramentas de coach utilizadas para traçar "perfis" em palestras que participei como ouvinte (a última delas na tarde de ontem, sobre gestão e planejamento de carreira), sempre gostei de ponderar todos os ângulos de uma situação que exigia uma decisão minha. E, assim, eu me guiava pela razão e até me orgulhava disso. Acredito que é um método eficiente decidir com a razão, normalmente eu não me arrependo das minhas decisões bem pensadas (claro que existem as exceções que confirmam as regras).
Acontece que, mesmo na fase em que eu me considerava "100% razão", uma coisa sempre foi muito forte em mim, a ponto de vencer o lado racional: a intuição. E como seria diferente para uma mulher de escorpião? Ainda mais depois de algumas lições aprendidas na escola da vida. E agora que meu lado emocional não está mais trancafiado no calabouço do âmago do meu ser (uau!) as minhas decisões passaram a ser mais equilibradas: um pouco de razão, um pouco de emoção, um pouco de intuição. Foi assim que tomei umas das decisões mais acertadas da minha vida: o personal!
Foi uma decisão em etapas, digamos assim. Primeiro, o lado racional: eu precisava de um incentivo novo para a musculação, que é uma modalidade de exercício físico importante para mim mas que nunca me seduziu muito. Na verdade, sempre achei chato e monótono, sobretudo quando já estava chegando à metade do treino e eu já havia decorado a ficha. Hoje sei que parte disso é porque meu corpo se adapta muito fácil e precisa de novos estímulos o tempo todo. O trabalho com o personal me fez conhecer ainda mais meu corpo, como ele funciona. Outro ponto da decisão racional, claro, foi o orçamento. Era possível encaixar essa nova despesa? Precisaria fazer ajustes?
Quando eu encontrei as respostas para estas questões, surgiu uma tão ou mais importante: a quem eu confiaria este trabalho? Por uma questão de comodidade (e exigência da empresa) precisaria escolher um dos instrutores da academia. Dentre eles, a minha intuição apontava que só havia um que se encaixava no meu padrão de exigência. Estes fatores ainda estavam se consolidando na minha cabeça quando a emoção (talvez um pouco influenciada pelos hormônios menstruais) me fez perguntar a ele "de sopetão" se ele trabalhava como personal e se teria horários disponíveis para mim. A resposta positiva desencadeou os fatores emocionais: eu precisaria mudar meus horários de exercícios físicos para o turno noturno para me adequar à disponibilidade dele e deixar de usar meus estoques de desculpas esfarrapadas para não ir malhar. O desafio estava lançado.
E assim, começamos. Ele é exatamente o profissional que eu esperava, queria e precisava. Alguém que me incentiva respeitando meus limites e que me inspira confiança para quebrar as barreiras das crenças limitantes do "eu não posso", "eu não vou conseguir". Apesar do objetivo principal ser o emagrecimento, ele planejou meu começo com um trabalho de fortalecimento da musculatura para que as dores no joelho (agravadas pelo sobrepeso) sejam coisas do passado. Ele não fica se metendo em minha alimentação, a única "dica" que me deu foi procurar um nutricionista (fantástico, cada um no seu quadrado), não fica me perguntando se "estou firme na dieta". E a não cobrança funciona muito bem para mim, porque eu já faço isso o tempo inteiro.
Foi uma coisa meio "automática" ajustar a alimentação. Quando percebi os primeiros resultados (ausência de dor nos joelhos, caminhando com passos mais rápidos e firmes e não arrastando a língua no chão depois de subir escadas), eu percebi que só faltava eu fazer a minha parte para além da academia. Aprendi com minha psicóloga que entre os fatores que me fazem ganhar peso há um que eu posso controlar e eu preciso usar este meu poder. Qual é o fator? A minha decisão de o que colocar no prato. Não vou me apegar a números nem querer fórmulas mágicas e/ou milagrosas. Paciência também é algo importante neste processo. O fato é que os dois quilos eliminados este mês com pequenas e inteligentes mudanças no cardápio (comer coisas saudáveis sem deixar de agradar o paladar) são um grande impulsionador para seguir em frente.
As lições que ficam deste blá-blá-blá todo são:
- As suas batalhas nunca serão vencidas se o general no comando não for você mesmo e aprenda a usar a emoção e a intuição (se ainda não o faz) em suas decisões.
- Você não é só um corpo, não é só um cérebro, não é só uma alma. É tudo junto e misturado. Então, algumas decisões podem ser assim também.
- Na guerra pelo emagrecimento, a melhor nutricionista do mundo não come por você e o melhor personal do universo não malha por você.
- Algumas decisões não permitem que você volte atrás, mas sempre haverá novas portas, novos caminhos. Seguir em frente pode ser o melhor deles.
- Estabeleça metas realistas para sua vida. Assim você evita frustrações de expectativas e orgulha-se quando surpreender a si mesmo.
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