Das duzentas mil edições que o reality show Big Brother já teve no Brasil eu acompanhei duas. A primeira foi a primeira (redundante, mas verdadeiro). Era novidade e eu fiquei curiosa. Comecei vendo todos os dias e no meio do caminho eu já tinha desgostado do programa e via apenas o trechinho que passava antes do futebol, nas quartas-feiras. Acabei vendo o desfecho (acho que ainda podíamos chamar assim). Começou mais um BBB, e mais outro, e outro mais.
E chegou a sétima edição. Nesta, a coisa já estava mais dramatúrgica, digamos assim, e eu acompanhei a "novelinha" do triângulo amoroso protagonizado por Diego (o alemão) e a construção do personagem como o mocinho que ia enfrentar a gangue do mal capitaneada por um dos vários caubóis que passaram pelo Big Brother Brasil (não lembro o nome dele e nem pesquisei). Depois do último capítulo (acho que podemos chamar assim aqui), até fiquei empolgada para ver a edição seguinte - mas acabei voltando ao esquema "quarta-feira antes do futebol". E fim.
Fim da minha audiência, mas não há como ficar 100% off BBB porque há sempre uma notícia aqui e ali. E foi assim que li hoje sobre uma prova de resistência fora de qualquer padrão. Acho que nem o mais criativo dos roteiros pensaria em algo que ultrapassasse 40 horas! Fiquei me perguntando até onde eu iria para ganhar um carro ou para ficar famosa vencendo o programa. Não julgo quem o faz, cada um sabe de seus desejos, vontades, necessidades, motivações e limites. Não cabe a mim nem a ninguém tecer qualquer julgamento. A pergunta que me fiz foi para impulsionar reflexões e autoconhecimento. Pelo carro e pela fama, certamente eu ficaria 40 minutos na prova. Pelo desafio de testar meus limites, qualquer uma hora já seria um orgulho para mim.
Contudo, os participantes que disputavam o prêmio ficaram mais de 40 horas em situação de exaustão extrema. A produção do programa finalizou a prova e declarou empate entre os dois competidores que ainda estavam na disputa. E então, surgiu para mim um segundo questionamento. Até onde eu submeteria dois seres humanos a algo do tipo pela audiência e interesses comerciais? Até onde eu, como telespectadora, aguentaria ver o sofrimento alheio como entretenimento? Também não trago estas perguntas como julgamento, mas como um convite à reflexão.
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