quinta-feira, 29 de março de 2018

"De hoje" que eu quero gritar para todo mundo ouvir que eu te amo!

Há dias em que escolher um tema para escrever aqui é um "aperto de mente", principalmente naqueles dias em que o sono me domina e parece que "comi água". Todavia, uma vez escolhido o tema, eu só quero é "brocar", fazer um texto "bala", "decente", "de lenhar", "massa" mesmo. Hoje não é um destes dias, o próprio dia já é um tema. É dia de falar de amor... "já não gosto"!. A gente sabe que é amor quando fica um tempo longe e bate aquela saudade, aquela vontade de voltar logo. E é sempre assim com você, Salvador! Esta terra tem uma magia, um imã, um feitiço, qualquer coisa que encanta e faz a gente querer voltar ou ficar para sempre. As belezas naturais, a história e, principalmente, a cultura, o povo que não nasce, que estreia. Feliz aniversário, Salvador!

A gente reclama que é "barril", que é muito "cacete armado", mas não deixa de amar. E a gente "pega ar" se "abusam" do nosso jeito de ser e "dá testa" mesmo. Quem sabe essa implicância não é porque tem inveja que a gente trabalha "como a porra" e ainda arranja tempo para os "reggaes". Olha aí hoje, aniversário da cidade e a gente trabalhando normalmente. Não é feriado. Por isso que a gente "não come reggae" de ninguém. Nem de "barão" nem do povo da "invasão", de ninguém mesmo. A gente "larga logo o doce" e grita que "quer prova e um real de Big Big". O "baianês" não é regionalismo apenas, é uma língua própria de um povo miscigenado e por isso mesmo tão múltiplo e plural. 

Chegando aos 469 anos com cara de gente grande, com problemas de gente grande (mobilidade urbana, violência, questões sociais) mas sem deixar de ser linda e amada. Claro que há outras cidades encantadoras no mundo, apaixonantes também, mas minhas raízes estão aqui. Sei que mesmo que algum dia eu more em outro local, vou querer sempre voltar para tomar um sorvete na Ribeira, para ver uma roda de capoeira no Pelourinho e um pôr do sol no Farol da Barra. Para comer um acarajé no Rio Vermelho ou para passar uma tarde em Itapuã falando de amor. Tenho um orgulho enorme de ser soteropolitana porque Salvador me faz ser quem eu sou também. 


Um pequeno dicionário para facilitar o entendimento das expressões entre aspas (só uma amostra de baianês):

  • Abusar - Zombar, fazer chacota
  • Aperto de mente - Pressão psicológica
  • Bala - Legal, bacana
  • Barão - Rico, cheio da grana
  • Barril - Esparro, problema, perigoso
  • Brocar - Mandar bem, fazer algo bem feito, mitar
  • Cacete armado - Confusão
  • Comer água - Ingerir bebida alcoólica; beber além da conta
  • Comer pilha/reggae - Cair em papo furado; ser feito de otário; acovardar-se
  • Como a porra - Pra caramba ("Esse cara fala como a porra!")
  • Dar testa - Enfrentar, reagir à altura
  • De hoje! - Há muito tempo
  • De lenhar - Muito legal, muito bacana
  • Decente - Legal, bacana
  • É bala - É legal, bacana
  • Eu quero é prova e R$ 1 de big big - Duvido muito; prove que é verdade
  • Invasão - Favela, comunidade
  • Já não gosto - Gosto muito
  • Largar o doce - Dizer algo na lata, falar a verdade na cara
  • Massa - Algo bom, bacana
  • Pegar ar - Ficar zangado, aborrecer-se
  • Reggae - Qualquer festa

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