Hoje registramos a interrupção do fornecimento de energia elétrica em alguns estados brasileiros por volta das 15h. Da mesma forma que o início não foi ao mesmo tempo para todo mundo, o final também não foi. No bairro onde trabalho, no centro histórico de Salvador, as luzes se apagaram perto das 16h. Quando soubemos que era uma pane geral sem previsão de volta, encerramos o expediente. No caminho até o estacionamento, as primeiras observações de como somos dependentes da energia elétrica hoje. Algumas pessoas estavam nas portas dos edifícios garagem sem saber como se deslocar porque os carros descem ao térreo por elevadores que estavam parados. Os smartphones deixaram de ser smart por algum tempo, totalmente sem internet. Sem chance, portanto, de usar aplicativos para usar os serviços de Uber ou táxi. Os táxis que estavam nas redondezas eram quase disputados a tapa.
O metrô parou. As estações cheias de gente que não tinham a menor ideia de quando poderiam continuar seus caminhos. A prefeitura aumentou o número de ônibus circulando nas ruas mas isso só fez aumentar os congestionamentos, afinal, os semáforos estavam parados e o trânsito tornou-se um caos ainda maior... e no escuro! No carro, a única possibilidade de ouvir uma música e as notícias sobre o blecaute era sintonizar as pouquíssimas emissoras de rádio que continuaram funcionando graças aos geradores. Sim, porque em tempos de Spotify diminuiu o número de pessoas com pendrives lotados das canções que mais gostam.
O caminho para casa foi relativamente tranquilo. Congestionamento sim, mas nada muito diferente dos outros dias. Fiz o meu percurso habitual, onde passo por apenas dois semáforos, em dois cruzamentos. Apesar do grande fluxo de veículos, meu trajeto durou o que normalmente dura em dias "normais", no horário de pico. Em casa, o gerador funcionando e não ter que encarar a subida de escadas foi um momento de felicidade para um corpo cansado da rotina alucinante que enfrento desde o início do semestre letivo. Ainda aproveitei a luz do dia por aproximadamente meia hora, para leitura. As aulas noturnas, incluindo as do meu curso de espanhol, foram suspensas. Pouco depois das 18h, aproximadamente dez minutos, a energia foi restabelecida na minha vizinhança, mas alguns bairros continuaram no escuro por mais duas horas. Até mesmo dentro do meu bairro a normalização não foi ao mesmo tempo para todos.
E por que este relato está aqui? Por instintos jornalistas? Por que queria um texto mais narrativo? Por que vou fazer mais um texto daqueles que circulam no WhatsApp questionando nosso modo de vida totalmente dependente da energia elétrica e conectados e que só voltamos ao mundo real e temos contato com as pessoas quando ela acaba? Não, nada disso. O objetivo foi mostrar como o mesmo acontecimento tem visões, repercussões e impactos diferentes para as pessoas. O blecaute praticamente não me atingiu e sem dúvidas me trouxe mais benefícios do que prejuízos. Consegui adiantar minhas tarefas acadêmicas pela "folga" do curso de espanhol e não ir a aula foi a única coisa de diferente no meu dia. Para muitas pessoas, no entanto, os transtornos foram inúmeros. O episódio me deixou um pouco reflexiva sobre até que ponto a minha atitude, o meu posicionamento e pensamentos em relação ao que me acontece faz diferença nas consequências.
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