Neymar Jr. vem ao Brasil para submeter-se a uma cirurgia no pé e ocupa mais espaço na mídia do que qualquer outro assunto. Qual não foi minha surpresa quando vi que o meu comentário jocoso de que transmitiriam ""ao vivo o procedimento médico quase se tornou uma realidade. Grandes portais na internet fizeram a cobertura no estilo "lance a lance". O exagero de tempo destinado a celebridades nos traz uma série de questionamentos sobre muitas coisas. O papel social do jornalismo entre elas.
Não é porque comecei a fazer outra graduação que deixei de gostar do Jornalismo ou ser jornalista. E o que percebo é uma transformação no perfil de profissionais que as faculdades estão formando. Se até pouco tempo os estudantes tinham o sonho de mudar o mundo com uma caneta, hoje o sonho é se tornar uma celebridade. Há jornalistas se achando mais importantes que a notícia, o que é muito perigoso.
Claro que a cirurgia de Neymar Jr. tinha que ser pauta jornalística, é o principal nome da seleção brasileira de futebol que se machuca a poucos meses da Copa do Mundo. Principal nome, na minha opinião, não o principal atleta. Acho Neymar um bom jogador, mas não tanto quanto parte da mídia nos tenta fazer acreditar (o próprio Neymar acredita nisso e em muitos momentos se comporta como um rei absolutista). Para mim, falta ao jogador o pensar coletivo, o jogar para a equipe.
Até então, o principal feito de Neymar com a camisa da seleção foi conquistar o coração da Bruna Marquezine. Não foi brilhante em nenhuma das partidas que disputou pela Copa do Mundo em 2014 (não sei se lembram mas ele lesionou a coluna no jogo contra a Colômbia). Nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, dois anos depois, foi dele a cobrança do último pênalti na disputa com a Alemanha, mas os louros devem, no mínimo, serem divididos com Weverton, que defendeu em um dos chutes dos alemães.
Por tudo isso e pela situação atual do País, acho que Neymar merecia, no máximo, um quarto de página de um jornal e não um caderno inteiro.
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