O tema é velocidade, mas vou escrever este texto bem devagar (péssimo trocadilho, eu sei). A inspiração para a postagem veio da notícia de que em 4 anos a família de Michael Schumacher gastou mais de R$110 milhões com o tratamento médico do ex-piloto. Uma grande fortuna para a maioria dos mortais, mas que representa apenas 3% do patrimônio acumulado pelo alemão. Divulgada ontem, na véspera do aniversário de 49 anos de Schumacher, a informação me trouxe uma série de pensamentos que registro agora aqui. Comecemos...
Heptacampeão na Fórmula 1 (o recordista em número de títulos até hoje), o aniversariante do dia sempre foi apaixonado por esportes de forma geral e pela velocidade - sempre uma grande parceira. Detentor de vários recordes, o rei da estatística na categoria mais badalada do automobilismo ainda é um nome a ser superado, mesmo considerando todas as controvérsias e polêmicas que envolvem a vitoriosa carreira - manobras questionáveis, jogo de equipe, estratégias.
Rodeado de mistérios, os últimos quatro anos da vida do alemão são uma verdadeira incógnita que inspiram teorias da conspiração e até notícias fantasiosas que possam salvar as vendas de algum periódico de imprensa. Foi a velocidade que levou Schumacher ao estado em que ele se encontra hoje? Muito se falou sobre o acidente, e a velocidade foi apontada como um dos fatores, talvez o principal. Não tenho conhecimento técnico para emitir qualquer parecer e nem é esta minha intenção.
O que pretendo é fazer uma reflexão sobre como a nossa relação com o tempo mudou nas últimas décadas. A palavra-chave nos dias atuais é velocidade e não somente para os pilotos de Fórmula 1. Estamos sempre em guerra contra o relógio. Rotinas cronometradas que podem ser comprometidas por um minuto de atraso e as consequências disso: impaciência, ansiedade, elevados índices de estresse... A lista é imensa, mas não vou escrever aqui. E não é pressa, é porque ela pode ser infindável.
Não faz muito tempo que a nossa correspondência era feita por meio de cartas. A gente escrevia, levava aos Correios, postava e depois de alguns dias chegava ao destinatário. Provavelmente quando lesse as novidades já teríamos outras para contar - sobretudo nos destinos mais distantes, mas o fato é que a atual e as futuras gerações jamais saberão como é a expectativa de receber uma correspondência que não seja uma encomenda ou um boleto bancário. Apenas alguém querendo saber como você está. Também não saberão como é a expectativa de esperar o filme de 36 poses terminar para revelar as fotografias, torcendo para que elas estivessem boas. Nem de esperar o álbum novo do cantor X chegar às lojas - hoje se lança um clipe na internet e em segundos há milhares de visualizações... Estas coisas não combinariam com a sociedade de hoje, tão acelerada.
Não estou dizendo que o avanço tecnológico é ruim, jamais seria. Claro que eu gosto de e-mails e vejo os clipes na internet. E, sim, ver como a foto ficou na hora e poder corrigir ou melhorar a pose é sensacional. Entretanto, a velocidade que a tecnologia trouxe para as comunicações e para a realização de tarefas acaba gerando um ciclo vicioso e queremos as coisas cada vez mais imediatas. Parece que abolimos a palavra esperar do dicionário. Tenho percebido ultimamente que as pessoas falam muito da minha paciência, porque é algo em desuso. Ter paciência é também saber esperar, mas ninguém quer ficar parado dois minutos no semáforo e avança até quando ele está fechado, só para citar um exemplo. E as relações estremecidas com aquele amigo/parente/namorado que demora mais de cinco minutos para responder as mensagens no WhatsApp? Se a pessoa visualizou e tem confirmação de leitura, mas não respondeu, pode ter decretado uma guerra!
Enfim, não posso afirmar que a velocidade foi a causa principal ou uma das causas secundárias do acidente sofrido por Michael Schumacher - com graves abalos na saúde do alemão, mas certamente ela é a causa principal da doença de muitas pessoas. Doenças mentais, sobretudo, mas físicas também. Será que não está na hora de pisar no freio? Equilíbrio é o segredo para tudo.
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