Desde criança eu gosto de futebol. Ele está nas minhas mais remotas lembranças, quer seja nas minhas (fracassadas) tentativas de praticar o esporte ou dos jogos que acompanhei pela televisão. Meu pai torcia para o Esporte Clube Bahia, paixão que ele herdou do pai. Apesar de eu não ter crescido na companhia de meu avô, que nos deixou quando eu três ou quatro anos, tenho vagas recordações dele fazendo pipoca para mim e me mostrando o estádio - ele morava bem perto, tinha uma visão privilegiada. Eu nasci com o DNA tricolor também, mas demorei a aceitar, até lutei contra isso por alguns anos. Vejamos.
Na minha casa, no meio da sala, tinha um quadro com o distintivo do Esporte Clube Bahia. Eu admirava o quadro, sempre ficava olhando para ele. Como eu não tinha a melhor das relações com meu pai (e não tenho até hoje) e adorava Zico, eu "resolvi" que seria Flamenguista. Ao ver que isso deixava meu pai irritado, afinal o Flamengo é rubro-negro e tem as mesmas cores do Vitória, eu deitava e rolava. Bobagem, grande bobagem.
Meus pais se separaram e o contato com meu pai foi ficando cada vez mais escasso. Acompanhando futebol apenas pela televisão, comecei a simpatizar com o São Paulo de Careca, ali nos meados dos anos 80. E essa fase durou até o final dos anos 2000.
Na adolescência, a maioria da minha turma na escola era torcedora do Vitória, o maior rival do Bahia. Em um dia normal de aulas, um torcedor do Bahia tinha levado a camisa para a escola e deixou pendurada na cadeira. Na hora do intervalo, um grupo de torcedores do Vitória viu a camisa e começaram a dizer que era "pano de chão". Nunca tive tanta agilidade na minha vida. Voei em cima do manto sagrado e enfrentei os meninos dizendo que ninguém pegaria da minha mão a camisa. E não pegaram. Ficaram dizendo que não sabiam que eu era tricolor e eu, sem querer admitir para mim mesma, respondia que só tinha feito isso porque era a camisa de um amigo querido.
O tempo foi passando, e fui "baixando a guarda". Fui começando a dividir minha atenção entre Bahia e São Paulo até que fui ao estádio. Não teve jeito, apaixonei de vez. Nem lembro que o São Paulo existe mais. Assistir a um jogo do Bahia no estádio é uma emoção indescritível. Todo torcedor deve achar isso em relação ao próprio time, mas o Bahia tem uma magia, uma coisa inexplicável. Até nisso minha vida mudou, como foi importante assumir, entender, expressar minhas emoções. No futebol, em tudo. BBMP!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! (Bora Bahêa minha porra!)
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