sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

Vamos falar de gratidão





O preço da bicicleta é fácil de aferir, mas o valor deste sorriso é incalculável. Gratidão define. E não estou falando do garotinho feliz com o presente, nem da garotinha que saiu correndo para abraçar o Papai Noel e nem ligou para a boneca que ele lhe oferecia. Estou falando da minha gratidão a todos que tornaram possíveis momentos felizes para 142 crianças de uma escola de educação infantil da rede municipal de ensino.

E também estou falando da minha gratidão pelos ensinamentos que recebi destas crianças, que no auge de seus dois, três ou quatro anos, ensinam valiosas lições que não encontramos em livros e nem no Google. Com eles eu aprendi que podemos sorrir mesmo que a vida somente nos dê motivos para chorar. A realidade de muitos destes pequeninos é bastante cruel e ainda assim, eles sorriram.

E como foi que cheguei a esta escola? Em 2009, participei pela primeira vez da campanha Papai Noel dos Correios e adotei cartinhas das crianças para presentear. Deixei de participar alguns anos porque ingressei em um grupo que arrecadava brinquedos para distribuir em instituições. Ah, mas isso não me satisfazia. Não é a mesma coisa comprar um carrinho ou comprar um carrinho para Arthur, João, Miguel. Além disto, o grupo resolveu presentear idosos no Natal. Não tenho nada contra, pelo contrário, acho que os idosos merecem toda a nossa atenção, carinho, respeito, mas nada se compara a emoção de uma criança encantada com o Papai Noel. 

Sendo assim, ano passado decidi que voltaria a participar da campanha dos Correios no Natal e ajudaria os idosos em outro momento do ano. Acredito que nada nessa vida é por acaso e não foi à toa que isso aconteceu justamente no ano passado. Comentei com a minha chefe que tinha vontade de levar a campanha para o trabalho e ela apoiou imediatamente. A ideia era adotar de 20 a 30 cartas, uma turma inteira de um colégio, e distribuir as cartinhas com os colegas do setor. 

Uma colega me acompanhou até os Correios para ajudar na escolha das cartas. Chegando lá, explicamos que queríamos entre 20 e 30 cartas e nos deram o pacote de cartas desta escola. Quando meus olhos bateram nos primeiros desenhos, tive vontade de levar todas as cartas. E foi o que eu fiz. A colega me perguntou se não eram muitas, e eu respondi que sim, mas que daria certo. E deu. Mais de uma centena de cartas e a campanha que era só para o meu setor expandiu-se para os demais. 

Repetindo, nada nessa vida é por acaso. Na semana em que sofri o acidente de carro e meu casamento terminou, essa campanha foi o que não me deixou desabar. Quando cheguei na escola para acompanhar a entrega dos presentes eu entendi que não ter comida em casa é um problema, não ter marido não. Estas crianças me fortaleceram e me fizeram enxergar a vida de outra forma. Serei eternamente grata. A dedicação das professoras também foi um motivador para que este ano repetíssemos a parceria. A diretora nem levou as cartas para os Correios, entregou diretamente a nós. 

Não foi fácil conseguir atender a todos os pedidos. Em tempos de agravamento de crise econômica, os corações ficam menos sensíveis que os bolsos de alguns. Só que quando a gente quer muito uma coisa e deseja com vontade, ela acontece. E foi assim que hoje foi possível levar um pouco de alegria aos pequeninos. A sensação é de plenitude, de leveza, de felicidade. Há um provérbio chinês que diz que podemos escolher o que semear, mas vamos necessariamente colher o que plantamos. Vamos semear amor e a colheita de bons frutos é garantida. 


Nenhum comentário:

Postar um comentário