Há uma semana eu desembarcava em Salvador depois de sete dias maravilhosos em Florianópolis. Viajar certamente é uma das melhores coisas da vida. Conhecer novos lugares, novas pessoas, novas culturas. Por circunstâncias da vida, precisei me privar deste prazer por alguns anos, mas sempre é tempo de recomeçar. Em qualquer coisa. E como foi bom recomeçar as viagens em Floripa, a capital catarinense é encantadora. Nunca tinha ido tão longe nas minhas (poucas) viagens até aqui, aproximadamente dois mil quilômetros de distância.
Na volta, a mala veio mais pesada. É que além das coisinhas que comprei por lá, eu trouxe experiência, recordações e saudade. Boa parte disso está registrada em fotos. Dezenas, não, centenas delas. A cada dois ou três passos você acha que o ângulo da foto vai ficar mais bonito que o anterior e sai registrando tudo.
E trago também muitas histórias para contar. Sobre como em poucos dias eu já caminhava pelo centro da cidade como se morasse ali a vida toda. Sobre como me pararam para pedir informação achando que eu era moradora da cidade. Sobre como foi divertido participar da caçada ao homem que sai pedalando pela vizinhança para vender um delicioso pão artesanal. Sobre a sensação de voltar a infância no Beto Carrero World. Sobre estratégias de arrumação de mala para caber tudo que não foi na ida, na volta. Sobre tudo que descobri sobre mim nestes dias. E sobre o mundo.
Mas a história que mais gosto, sem dúvidas, é sobre a conexão no voo de volta para casa. Minha predileção nem é porque a historia é inusitada ou parece roteiro de filme ou novela, é pela metáfora. Não sei se estou com "mania" de metaforizar tudo, mas confesso que gosto disso. Enxergar além do que se vê.
O fato é que meu voo de volta estava marcado para sair de Florianópolis as 11h23. Não há voos diretos para Salvador, de forma que obrigatoriamente teria uma conexão em São Paulo, esta marcada para 13h10. O tempo estava bem apertado, aproximadamente meia hora entre o pouso de uma aeronave a decolagem da outra. Eis que, o avião atrasa em Floripa. Eram 11h e os passageiros ainda não haviam entrado no avião. Começamos a embarcar cerca de quinze minutos depois.
Eu sou daquelas que não desiste fácil e que é sempre otimista, mas neste caso, a razão indicava que eu ficaria no aeroporto em São Paulo por mais algum tempo, aguardando o próximo voo para a capital baiana. Só que meu coração não queria isso. Joguei para o universo. Apenas pensei "Seja o que tiver que ser". Chegamos em São Paulo e assim que saio do avião vejo uma funcionária da companhia aérea. Meu cartão de embarque tinha o número do portão do voo para Salvador mas por alguma razão eu perguntei a esta funcionária pela conexão. Talvez no meu inconsciente eu esperasse que ela me indicasse um atalho. Preparada para começar a correr (literalmente) pelo aeroporto, escuto "é no portão aqui do lado" ( não era o mesmo portão que o cartão de embarque indicava). Os passageiros já estavam embarcando e assim também o fiz.
E então veio a metáfora na minha cabeça. Mais que isso até, no meu coração. Quando algo tem que acontecer, não há nada que atrapalhe. Quando você quer muito uma coisa, deseje com vontade, com todo o seu coração. O universo conspira para que tudo dê certo.
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